Jornal da Noite

Vendas de carros elétricos batem recorde e pressionam infraestrutura urbana

Emplacamentos no Brasil sobrem 161% em relação ao ano passado; expansão dos eletropostos esbarra no gargalo da rede de energia para atender à frota

Por Redação
REDAÇÃO

04/08/2026 • 08:00 • Atualizado em 04/08/2026 • 08:00

O som silencioso dos motores elétricos está ocupando cada vez mais espaço no trânsito das cidades brasileiras. Impulsionadas pela busca por economia em meio ao aumento no preço dos combustíveis tradicionais, as vendas de veículos elétricos e híbridos dispararam no Brasil, registrando recordes sucessivos no setor.

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Apenas no mês de abril, foram emplacados 38,5 mil carros elétricos e eletrificados — um crescimento expressivo de 161% em comparação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado do primeiro trimestre, os números saltaram para quase 84 mil unidades vendidas, mais do que o dobro do registrado no início do ano passado, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

O movimento é puxado principalmente pelas regiões Sul e Sudeste. Marcas que investiram pesado no mercado nacional, como a BYD, já acumulam vendas de dezenas de milhares de unidades.

"Uma das vantagens é que conseguimos controlar todas as etapas da produção. Com isso, ganhamos em escala e repassamos essa economia para o valor dos modelos no consumidor final", explica Fábio Lage, Diretor Comercial da BYD Brasil.

Economia atrai motoristas de aplicativo

A diferença de custo no "tanque" é o principal atrativo para quem roda muito, como é o caso de quem trabalha com transporte de passageiros. O motorista de aplicativo José Eduardo exemplifica a vantagem financeira na hora da recarga.

"Gasto cerca de R$ 80 para carregar a bateria do carro quando ela está totalmente vazia. Se fosse abastecer com etanol ou gasolina, custaria cerca de R$ 250 para encher o tanque", calcula o motorista.

Gargalos na infraestrutura de energia

Para acompanhar o ritmo das vendas, as cidades precisaram se adaptar. Há dez anos, quando os primeiros modelos desembarcaram no país, a capital paulista contava com apenas dois pontos de carregamento. Hoje, a cidade de São Paulo possui mais de 2.400 eletropostos — parte dos quase 6 mil espalhados por todo o estado e dos mais de 14 mil disponíveis em todo o Brasil.

Apesar do salto, o setor já enfrenta gargalos técnicos para manter o crescimento sustentável. A rede elétrica tradicional não foi planejada para suportar a alta demanda de carga da nova frota, exigindo adaptações e investimentos em estruturas externas de fornecimento de energia.

"A energia que chega da distribuidora muitas vezes não é suficiente para toda a demanda, pois a rede não foi construída pensando na eletrificação da frota que temos hoje. Isso indica que há questões estruturais urgentes que precisam ser trabalhadas pensando no aumento contínuo do setor", alerta Rodrigo Almeida, diretor da Easy Volt.

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