O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, classificou neste sábado, 18, o bloqueio naval de embarcações e portos iranianos pelos Estados Unidos como uma decisão "desajeitada e ignorante". A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) informou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que a medida dos EUA seja suspensa.
"O que significa o cerco? Isso significa que todos podem transitar, exceto o Irã. Que decisão desajeitada e ignorante!", declarou Ghalibaf, em entrevista ao canal iraniano Press TV. "Então, se existe o estreito, e se nós e todos que querem transitar estão lá, todos podem transitar, exceto nós? Isso é possível? Isso é um erro sobre outro erro", criticou.
Dirigindo-se ao povo iraniano, o líder do parlamento disse que a rota de navegação está sob controle do país persa. Falando sobre as negociações ocorridas em Islamabad, no Paquistão, entre uma delegação iraniana e outra dos EUA, que terminaram sem sucesso, Ghalibaf disse que os negociadores americanos queriam enviar varredores de minas ao estreito, ao que ele se opôs.
"Nos opusemos firmemente a isso. Consideramos que isso seria uma violação do cessar-fogo e que se eles tomassem essa ação, nós iríamos atacar. Estávamos a um passo do confronto. Eles recuaram", relatou o parlamentar.
Enquanto estava no Paquistão, continuou, um colega do governo iraniano entrou em contato com ele para contar que um varredor de mina dos EUA havia chegado e estava posicionado em um local no qual, se tivesse avançado mais um pouco, teria sido atingido por míssil iraniano.
"Eu disse isso à delegação americana. Falei 'ele está aqui, e se ele for além desse limite, vamos atingi-lo'. Eles nos pediram 15 minutos e ordenaram o retorno do artefato", contou."Então, se há tráfego no estreito hoje e ele está avançando, o controle do estreito está em nossas mãos", reforçou Ghalibaf.
A crise no Estreito de Ormuz se intensificou neste sábado (18) após o Irã voltar a impor controle militar rígido sobre a passagem e, separadamente, surgirem relatos de disparos contra embarcações comerciais na região.
Segundo a agência Reuters, ao menos dois navios mercantes afirmam ter sido atingidos por tiros em águas próximas ao estreito. Um dos episódios envolve um petroleiro que teria sido alvo de disparos atribuídos ao Irã, pouco depois de o governo iraniano anunciar novas restrições à navegação na área.
De acordo com os relatos, duas lanchas operadas pela Guarda Revolucionária iraniana teriam aberto fogo contra a embarcação, que navegava próxima a Omã. Apesar do incidente, a tripulação informou que todos estão seguros e que o navio não sofreu danos graves.
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