Band Jornalismo

Lula tenta evitar pressão sobre facções e tarifas em reunião com Trump

O Palácio do Planalto teme que impasses políticos internos abram precedentes legais para intervenções diretas dos Estados Unidos em território nacional, colidindo com a soberania brasileira

Da redação
DA REDAÇÃO

07/05/2026 • 09:55 • Atualizado em 07/05/2026 • 09:55

Sonia Blota
Redes Sociais:
Lula e Trump em encontro na Malásia

Lula e Trump em encontro na Malásia

Ricardo Stuckert/Brazil Presidency/Handout via REUTERS

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou em Washington, nos Estados Unidos, para um encontro estratégico com o presidente americano, Donald Trump, marcado para o 12h (horário de Brasília) na Casa Branca. O Palácio do Planalto teme que impasses políticos internos abram precedentes legais para intervenções diretas dos Estados Unidos em território nacional, colidindo com a soberania brasileira.

Compartilhar

O tema ganha contornos de urgência porque o combate ao "narcoterrorismo" tornou-se uma das principais bandeiras eleitorais de Trump. Nesta semana, o presidente americano assinou um documento que redefine o conceito de terrorismo, colocando os cartéis de drogas como o alvo prioritário de combate, à frente de grupos extremistas como o Estado Islâmico e a Al-Qaeda.

Paralelamente à segurança, a economia surge como outra "bomba" que a diplomacia brasileira tenta desarmar. Os Estados Unidos iniciaram uma investigação comercial ampla que questiona políticas brasileiras que variam desde tarifas de importação e leis trabalhistas até o desmatamento e a pirataria. Surpreendentemente, até o sistema de pagamentos instantâneos Pix entrou no radar de questionamentos americanos, o que pode resultar na imposição de pesadas tarifas sobre produtos brasileiros exportados para os EUA.

Embora a agenda seja classificada oficialmente como uma "reunião de trabalho" e não uma visita de Estado, o compromisso carrega um peso diplomático significativo, sendo o terceiro encontro presencial entre os dois líderes neste mandato.

O que esperar do encontro entre Lula e Donald Trump

Lula viajou acompanhado de uma comitiva enxuta, que inclui os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Dario Durigan (Fazenda), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Wellington Silva (Justiça) e Mário Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Para o governo brasileiro, a viagem é vista como uma oportunidade de projetar força política internacional e buscar uma agenda positiva, especialmente após enfrentar reveses recentes no Congresso Nacional.

No entanto, o diálogo promete ser desafiador, uma vez que os dois países acumulam divergências em temas sensíveis. Um dos pontos centrais da discussão é a proposta brasileira de cooperação conjunta na segurança pública, focada no combate ao tráfico de armas e à lavagem de dinheiro. Com esse movimento, o Brasil tenta se antecipar a uma possível decisão de Washington de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

No campo da geopolítica global, a reunião também abordará os conflitos no Oriente Médio e a crise na Venezuela. O encontro ocorre estrategicamente uma semana antes da viagem de Trump à China, refletindo a tentativa de Washington de frear a crescente influência de Pequim na América do Sul.

Atualmente, a China consolida-se como o maior parceiro comercial do Brasil, tendo investido mais de US$ 6 bilhões no país no último ano — um salto de 45% em comparação a 2024. Diante da pressão americana, o Brasil guarda um trunfo importante: as vastas reservas de terras raras e minerais críticos, essenciais para a tecnologia e a economia do século 21.

Como o mercado global hoje é dependente do fornecimento chinês desses materiais, e o Brasil detém a segunda maior reserva mundial, Lula possui uma moeda de troca valiosa para equilibrar os interesses das duas maiores potências do mundo.

Fique bem informado!

Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail

Escolha quais newsletters quer receber