O presidente Lula vai se encontrar com o presidente americano, Donald Trump, em Washington nesta quinta-feira (7). Uma viagem importante e que traz na pauta assuntos estratégicos para os dois países. O embaixador Rubens Barbosa falou sobre a expectativa dessa conversa:
“O item principal que está na pauta, do ponto de vista do Brasil, são as investigações da Seção 301 da Lei de Comércio Americana. Nós temos duas investigações em que o Brasil está envolvido: uma do ano passado, que tinha a ver com as práticas desleais de comércio do Brasil, segundo os americanos, e que envolve o Pix, o desmatamento, uma série de itens como o etanol; e agora uma mais recente, que tem a ver com a compra de países que têm trabalho forçado, que é o caso da China”, disse o embaixador.
Nesta missão, Lula terá um respiro da crise envolvendo o Congresso Nacional, cujo ápice foi a rejeição histórica de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, o que não acontecia no Brasil há 132 anos. O presidente também amarga a derrubada do veto do 'PL da Dosimetria'. Lula deseja retornar dessa missão com uma agenda positiva e mostrar que ainda tem fôlego e força política.
A Casa Branca e o atual governo brasileiro vinham em atrito desde o 'tarifaço', a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e as sanções contra o ministro do Supremo, Alexandre de Moraes. Mas, em setembro do ano passado, os líderes se encontraram na Assembleia da ONU e os ânimos ficaram mais calmos: Trump disse que Lula era um 'cara legal' e que tiveram uma química excelente.
O encontro surpreendeu. Novos telefonemas aconteceram e a relação continuou amistosa; os Estados Unidos revogaram as sanções ao ministro Moraes e reduziram parte das tarifas impostas a produtos brasileiros. Porém, recentemente, Lula voltou a criticar o governo Trump. A oposição no Brasil afirma que o presidente busca ganhos eleitorais usando a estratégia da 'soberania nacional'.
Lula condenou os ataques de Israel e Estados Unidos ao Irã e ao Líbano, criticou e não aderiu à intenção de Trump de criar o chamado 'Conselho da Paz' — visto pelo presidente brasileiro como uma tentativa dos americanos de dominarem a ONU. Houve também o episódio da prisão do ditador Nicolás Maduro, na Venezuela, classificada pelo governo brasileiro como interferência estrangeira na soberania de um país da região.
Após o governo americano alegar que as facções criminosas brasileiras são uma ameaça regional, o Palácio do Planalto se negou a classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, enxergando nisso um risco à soberania do Brasil. Mais um atrito: o episódio da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, que culminou na determinação para que um delegado da Polícia Federal deixasse a Flórida, com o Brasil retaliando ao pedir que um agente do ICE voltasse para os Estados Unidos.
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