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Trump: Lula terá "grande papel" em novo Conselho de Paz para Gaza

"Eu gosto dele", declarou o mandatário americano, ressaltando que Lula terá um "grande papel" nas decisões e articulações da nova organização internacional

Da redação, com Estadão Conteúdo
DA REDAÇÃO, COM ESTADÃO CONTEÚDO

20/01/2026 • 17:53 • Atualizado em 20/01/2026 • 17:57

Resumo

Declaração de Donald Trump indica que o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, terá papel de destaque no Conselho de Paz para a Faixa de Gaza, entidade idealizada pelo presidente americano Donald Trump.

Postura do governo brasileiro é de cautela, com confirmação do recebimento do convite e análise das condições geopolíticas e do impacto da nova organização antes de decidir pela participação; funcionamento do conselho prevê assentos permanentes mediante pagamento de US$ 1 bilhão.

Projeção de lideranças internacionais inclui possíveis participações de Lula e Vladimir Putin, com o governo americano planejando usar o conselho como principal mediador do conflito em Gaza e centralizando decisões em países que aceitem as exigências financeiras e políticas de Washington.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (20) que o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, deverá desempenhar uma função de destaque no recém-criado Conselho de Paz para a Faixa de Gaza. A declaração foi feita durante entrevista coletiva na qual Trump detalhou os planos para a entidade, que ele projeta como uma possível substituta para as Nações Unidas.

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Ao comentar sobre a composição do grupo, Trump reforçou seu entusiasmo com a presença do líder brasileiro. "Eu gosto dele", declarou o mandatário americano, ressaltando que Lula terá um "grande papel" nas decisões e articulações da nova organização internacional.

Brasil avalia convite e condições geopolíticas

Apesar do entusiasmo de Trump, o governo brasileiro adota uma postura de cautela. Em nota oficial, Brasília confirmou que o convite foi recebido, mas informou que o presidente Lula prefere avaliar as condições geopolíticas e o impacto real da entidade no cenário global antes de confirmar sua participação definitiva.

Um dos pontos de análise do governo brasileiro é o funcionamento do conselho. Segundo as diretrizes anunciadas pelo governo Trump na última sexta-feira, o órgão contará com um grupo de países permanentes. No entanto, o acesso a esse assento de decisão exige o pagamento de uma taxa de US$ 1 bilhão.

Lula critica Trump e o acusa de "querer governar o mundo" pelo Twitter

No mesmo dia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça-feira (20), acusando-o de tentar "governar o mundo pelo Twitter". A declaração foi feita durante a cerimônia de entrega de 1.276 moradias do programa "Minha Casa, Minha Vida" na cidade de Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul.

Durante seu discurso, Lula questionou a eficácia e o respeito da comunicação de Trump, que utiliza intensamente as redes sociais para fazer anúncios e comentários sobre a política global.

"Vocês já perceberam que o presidente Trump quer governar o mundo pelo Twitter? É fantástico. Todo dia ele fala uma coisa [...] E você acha que é possível tratar o povo com respeito se não olhar no rosto? Achar que é objeto e não um ser humano?", disse o presidente.

Projeção de lideranças e o futuro da ONU

Além do convite a Lula, Trump mencionou que o líder russo, Vladimir Putin, também pode ter uma participação relevante no Conselho de Paz. Para o presidente dos EUA, a união dessas lideranças sob a nova bandeira é o que permitirá à entidade, eventualmente, ocupar o espaço hoje pertencente à ONU.

O governo americano planeja utilizar o conselho como a principal ferramenta de mediação para o conflito em Gaza, centralizando o poder de decisão em um grupo seleto de nações que aceitem as condições financeiras e políticas estabelecidas por Washington.