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"Made in China" põe pressão sobre indústria da Alemanha

Dez anos depois após Pequim lançar plano de modernização, gigante asiático pode ultrapassar o "país dos engenheiros". Mas uma fábrica chinesa de baterias mostra como ambos podem se beneficiar.

Deutsche Welle
DEUTSCHE WELLE

23/01/2026 • 13:28 • Atualizado em 23/01/2026 • 14:00

Em um galpão com mais de cem metros de comprimento, incontáveis robôs zumbem. Por toda parte piscam bipes e luzes. Apenas uma dúzia de empregados circulam por ali, e uma grande parte do trabalho está a cargo de robôs de alta performance.

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Jornalistas raramente têm acesso à fábrica de alta tecnologia vinda da China. Quando têm, as instruções são claras: nada de fotos, smartphones são lacrados e até mesmo curtas gravações de áudio exigem a aprovação do porta-voz. Placas em chinês, inglês e alemão alertam que fotografar é estritamente proibido.

A fábrica não está na China, mas em Arnstadt, uma pequena comunidade no estado da Turíngia, no leste da Alemanha. Ela pertence à CATL, líder mundial chinesa em baterias para carros elétricos. Todos os anos, são ali produzidas 14 GWh de baterias – o suficiente para pelo menos 200 mil veículos elétricos.

Entre os clientes estão montadoras europeias. Para a CATL, produzir diretamente na Europa encurta as rotas de transporte das baterias pesadas e inflamáveis, além de evitar riscos geopolíticos, como as tarifas.

Do "Made in Germany" ao "Made in China"

Mas a fábrica da CATL também simboliza a transformação das relações comerciais da China com a Alemanha e a União Europeia (UE). Por décadas, o selo "Made in Germany" foi considerado na China um modelo de padrões modernos de produção. Já nos anos 1980, a joint venture da Volkswagen em Xangai impressionava os parceiros chineses.

Duas décadas depois, a Alemanha apostaria na produção inteligentemente conectada para aumentar produtividade e eficiência sob o conceito de Indústria 4.0.

A indústria manufatureira chinesa já buscava há muito deixar para trás a imagem de fornecedora de produtos baratos. Quando a Alemanha, conhecida como o país dos engenheiros, buscou se aproximar da China, o gigante asiático viu uma oportunidade.

Em 2014, os dois países firmaram acordos de cooperação, e empresários chineses ficaram fascinados pelas fábricas-modelo da Siemens. Pouco tempo depois, em maio do ano seguinte, Pequim apresentou o plano estratégico "Made in China 2025" para modernizar a própria indústria e virar líder mundial em setores-chave.

Ascensão tecnológica

Hoje, a China alcançou este objetivo em muitas áreas ou, pelo menos, se tornou uma concorrente de peso. Oliver Wack, da Associação Alemã de Fabricantes de Máquinas e Instalações (VDMA), aponta para a crescente pressão competitiva.

"Em 2018, fabricantes chineses de máquinas entregaram bens no valor de 20 bilhões de euros para a UE. Em 2024 foram 40 bilhões, e este ano, talvez 50 bilhões," diz. Em contrapartida, ele pondera, a Alemanha ainda exporta mais máquinas para a China do que o contrário.

Em outros setores, como energia verde, eletromobilidade e tecnologia ferroviária, a pressão é ainda maior. Carlo Diego D'Andrea, da Câmara de Comércio da UE em Xangai, afirmou em entrevista à emissora pública da TV alemã ARD que a capacidade chinesa de energia solar e eólica supera a de todos os outros países juntos.

Em drones, a China domina o mercado mundial com 70% de participação. A situação é semelhante para carros elétricos.

Investimento pesado

Logo após o anúncio da agenda "Made in China 2025", há uma década, Pequim adotou diversas medidas para impulsionar a modernização da indústria. Empresas nacionais foram incentivadas a adquirir tecnologias de ponta, ou até empresas inteiras, da Europa.

A compra da tradicional fabricante alemã de robôs Kuka pela empresa chinesa Midea, em 2016, foi o ponto culminante. O Instituto Mercator para Estudos sobre a China já alertava então que a transferência de tecnologia poderia trazer ganhos de curto prazo, mas riscos de longo prazo para a Alemanha e a Europa.

Clas Neumann, então vice-presidente da empresa de tecnologia SAP, discordava em 2016. Para ele, a China não poderia ultrapassar a Alemanha em alguns setores a curto prazo. "Leva ao menos 20 a 30 anos para dominar esses processos e tecnologias."

Mas a China investiu na missão: os gastos com pesquisa e desenvolvimento subiram de 1,37% do PIB em 2007 para 2,56% em 2022. O financiamento veio majoritariamente de subsídios estatais, quadruplicados entre 2014 e 2024, e lucros empresariais. Apenas os EUA gastam mais em pesquisa atualmente.

Subsídios insustentáveis

Camille Boullenois, especialista em China da consultoria Rhodium Group, avalia que os subsídios massivos permitiram à China reduzir a dependência da tecnologia ocidental e conquistar participação de mercado.

Mesmo em áreas onde ainda está atrás, como o setor aeroespacial ou de semicondutores avançados, o país deverá alcançar estes objetivos em poucos anos, segundo ela.

Mas a especialista considera os subsídios como insustentáveis, argumentando que a política industrial da China levou a enorme desperdício e a um crescimento econômico mais fraco. O excesso de dinheiro em tecnologias-chave negligenciou reformas estruturais necessárias, o que explica o fraco consumo interno.

"O sistema econômico chinês é altamente orientado à produção. As empresas tendem a investir demais, fazendo com que a capacidade produtiva supere a demanda interna. Esse excedente inunda o mercado externo e representa um desafio para empresas europeias."

Ao mesmo tempo, a cooperação pode ser lucrativa quando empresas chinesas produzem localmente na Europa. "Mesmo com subsídios e vantagens de custo, a UE tem instrumentos para garantir concorrência justa."

A fábrica de baterias da CATL em Arnstadt é um exemplo. Atualmente, apenas cerca de 10% dos mais de 1,7 mil funcionários vêm da China.

Geração de ganhos locais

A empresa também coopera com universidades e câmaras de comércio locais para formar jovens talentos. A fábrica tem ainda um centro de treinamento, onde cerca de 20 aprendizes estudam profissões de interesse para o setor, como mecatrônica.

O prefeito de Arnstadt, Frank Spilling, elogia: "Valor agregado absoluto! Os jovens não precisam mais ir embora. Podem iniciar uma formação aqui. É a melhor coisa que poderia nos acontecer." Fornecedores também já se instalaram na região.

Logo ao lado da fábrica, fica um centro de inovação e tecnologia de baterias, onde engenheiros da CATL e cientistas alemães pesquisam juntos o inchaço de baterias, para prolongar a vida útil das células.

Roland Weidl, diretor do centro de pesquisa, disse à DW que a cooperação "é uma situação de ganhos mútuos para a indústria, a pesquisa e a economia. Há aprendizado em todas as áreas". Ele associa o sucesso das empresas tecnológicas chinesas ao apoio contínuo de Pequim às tecnologias do futuro.

A continuidade é decisiva, porque a China tem grande vantagem na tecnologia atual de baterias, mas a Europa ainda pode alcançar as próximas gerações. A UE avalia atualmente estabelecer condições para empresas chinesas que desejem investir no seu território, incluindo regras claras para transferência de tecnologia, produção local e geração de emprego.

Autor: Mu Cui (Simon van Ackern)

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