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Metanol: força do Estado precisa ser rigorosa

Por Redação
REDAÇÃO

03/10/2025 • 23:06 • Atualizado em 03/10/2025 • 23:06

Eduardo Oinegue

Ele não tem cor, parece água. O cheiro, o gosto, não são diferentes do etanol. Agora, o estrago no organismo, esse a gente tem tomado conhecimento no noticiário recente.

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Nos últimos seis anos, foram registrados no mundo mais de 900 incidentes de intoxicação por metanol. Quase 40.000 pessoas envenenadas, mais de 12.000 mortes. Isso é o que dizem os registros, porque os médicos têm certeza de que tem subnotificação. Até porque atinge países mais pobres, onde a desinformação é maior.

Se os médicos não prestam atenção, se os exames certos não forem feitos, se eles ficarem olhando só para os primeiros sinais, dá para confundir com embriaguez. Tontura, náusea, dor de cabeça. Então dá para errar o diagnóstico. Os sintomas que são mais específicos, tipo, visão turva, dor abdominal que é intensa, e outras complicações super graves, elas aparecem só depois que o metanol é metabolizado pelo fígado.

E a comunidade médica tem certeza de que, em muitos casos, isso acontece tarde demais ou nem acontece. Daí a certeza de que tem subnotificação, de que essas 40.000 pessoas envenenadas ou 12.000 mortes são uma parte do problema. Um problema que as autoridades não têm conseguido enfrentar com eficiência em lugar nenhum do mundo.

Pensa no desafio. Pega o Brasil, onde a fiscalização das bebidas é feita por um conjunto de departamentos governamentais. Tem o Ministério da Agricultura, tem as vigilâncias sanitárias, tem os Procons. Onde é que vão os fiscais? Eles vão para bar, vão para restaurante, vão para hotel, vão para distribuidora de bebida. Podem ir também para uma fábrica. Mas sempre em lugar que funciona formalmente.

Não faz sentido imaginar os fiscais procurando destilaria clandestina e multando a destilaria porque ela é clandestina. A multa é para a empresa formal que comete uma irregularidade. Uma destilaria clandestina não comete uma irregularidade, ela é o crime! E ela precisa ser fechada pela polícia. Mas onde é que elas estão? Elas não estão numa avenida, num grande galpão, sinalizada, sabe, entrada de caminhão, saída de caminhão.

Elas estão em muquifos, escondidas, é difícil de achar. E uma característica desse crime é que as destilarias criminosas são pequenas. E rende, portanto, apreensão pequena também quando a polícia vai para cima. Entre janeiro de 2020 e janeiro desse ano, a polícia recolheu 185 mil garrafas falsificadas. Você imagina 185 mil garrafas, é muito, mas o Brasil consome quase 400 milhões de garrafas por ano de destilados. Ou seja, 185 mil garrafas não é nada.

Não vai ser a polícia que vai resolver, portanto, desse jeito, o problema sozinha. Não vão ser as autoridades sanitárias. O problema só vai ser resolvido quando o comércio comprar todo o estoque que ele compra em distribuidoras formais. Para isso, a força do Estado punindo é que tem que ser muito vigorosa.

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