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“Muito perto de um acordo”, mas ainda muito longe da paz em Gaza

Moises Rabinovici
MOISES RABINOVICI

29/09/2025 • 17:34 • Atualizado em 29/09/2025 • 17:34

Gaza

Gaza

Reuters

Gaza está “muito, muito perto” da paz, anunciou o presidente Donald Trump, ao lado do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, na Casa Branca. Falta “um mínimo”, ele acrescentou. Mas o mínimo que falta é o máximo para um acordo de cessar-fogo e libertação dos reféns: a aprovação do Hamas.

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O Hamas não aceitou o plano de 21 pontos anunciado pelos Estados Unidos e oito países árabes e muçulmanos, no fim de semana, porque simplesmente não o tinha recebido até a manhã desta segunda-feira.

Mas o Hamas antecipava que o aceitaria e talvez o aceite, embora seus termos não o favoreçam, e nem a Israel, que o aceitou nesta segunda-feira, porque ambos estão isolados na guerra que iniciaram há 724 dias, hoje com 66 mil mortos do lado palestino, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, e dois mil mortos israelenses, incluindo as 1.200 vítimas do massacre de 7 de outubro de 2023.

Se o Hamas, afinal, rejeitar o plano (leia-o aqui, na íntegra, como antecipado no sábado pelo blog da Band: Paz para Gaza, perigo para Netanyahu, fim do Hamas... E a Palestina?), o presidente Trump disse que dará seu apoio para “Israel acabar o trabalho”. Mas se aceitar, em 72 horas os 48 reféns, entre eles 20 vivos, deverão ser liberados, em troca de um número não especificado de prisioneiros palestinos, muitos servindo sentenças de prisão perpétua.

Aqui mora o perigo para o primeiro-ministro Netanyahu. O próximo passo será a retirada gradual das forças israelenses de Gaza. E se ele o der, terá sido para fora do governo, porque sua coligação de extrema-direita ameaça abandoná-lo a um voto de desconfiança no Parlamento. Os seus parceiros no governo querem a anexação de Gaza e da Cisjordânia, que o presidente Trump repetiu, no domingo, várias vezes, que não a permitirá.

Se o Hamas rejeitar o acordo, o que será dos reféns? Isso não está previsto entre os 21 pontos do plano que a Casa Branca divulgou depois do quarto encontro entre Trump-Netanyahu. E é o ponto mais importante para a unanimidade dos israelenses.

Enquanto reunidos no Salão Oval, o emir do Catar, Mohammed bin Abdulraham bin Jassim al-Thani, foi convocado em vídeo, ao vivo, para ouvir as desculpas de Netanyahu sobre o ataque a Doha, para matar quatro líderes palestinos que discutiam um acordo de cessar-fogo, mas que matou quatro membros do segundo escalão e um agente de segurança catariano. Ficou a promessa de que Israel não violará de novo a soberania catariana.

Na entrevista coletiva do “dia histórico”, o presidente Trump entrou num monólogo comprido, prolongado, em que comentou que preferia a pronúncia de Abraão em hebraico, Abraham, do que em inglês, em que o primeiro A é pronunciado como E. Fez algumas piadas, falou do teleprompter quebrado em seu discurso na ONU, na semana passada, e agradeceu um a um os muitos líderes árabes e muçulmanos com os quais elaborou seu plano de 21 pontos para Gaza, que lhe dá a chefia do Conselho da Paz, termo que ficou pronunciando em inglês, Board of Peace, qualificando-o de bonito, poético.

Outro ponto problemático dos 21 de seu plano é sobre o papel da Autoridade Palestina, que esperava estender sua autoridade da Cisjordânia para Gaza. Será reformada, porque, para Israel, seu líder, Mahmoud Abbas, é “um corrupto”. Palestinos tecnocratas, sem filiação partidária, assumirão o poder, talvez sob as ordens do antigo primeiro-ministro britânico, Tony Blair. Também não há uma Palestina explícita no futuro da paz. Nem garantias de que Israel vá se retirar totalmente de Gaza. E na retirada, manterá uma área tampão para proteger sua fronteira.

A Netanyahu, que ficou rindo das tiradas de Trump, restou pouco tempo para falar. Ele ameaçou o Hamas, dizendo que há duas maneiras de trazê-lo para o acordo de paz: “a maneira fácil ou a difícil”. Acrescentou que, mesmo retirando suas forças, vai manter “um perímetro de segurança por um previsível futuro”. Aí, por fim, declarou: “Eu apoio seu plano para acabar com a guerra em Gaza, que satisfaz nossas metas na guerra”.

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