
Entenda as premissas do Plano de 21 pontos de Trump
Reprodução/REUTERS
Não, o plano de 21 pontos para a paz em Gaza não cria um estado palestino a médio prazo, nem o reconhece. O plano também não anexa a Cisjordânia e Gaza a Israel. Não, os palestinos de Gaza não serão impelidos ao êxodo voluntário ou forçado. E quem for embora, poderá voltar..
Sim, o plano de Trump exige a devolução em 48 horas de todos os reféns israelenses, vivos e mortos. Em troca, Israel vai libertar centenas de prisioneiros condenados à prisão perpétua e mais mil presos desde o começo da guerra, há 722 dias, inclusive os corpos de centenas de palestinos mortos.
Os combatentes do Hamas que optarem pela coexistência pacífica com Israel serão anistiados e poderão permanecer em Gaza. Aqueles que não aceitarem, receberão salvos-condutos para partirem a outro país. A ajuda humanitária voltará ao nível de 600 caminhões/dia.
O plano de Donald Trump tem os ingredientes para a deposição do premiê Benjamin Netanyahu, se ele o aceitar. Os nacionalistas religiosos e a extrema-direita de sua coligação o abandonarão, porque não querem a retirada israelense de Gaza e nem o fim da guerra. Fica uma questão: Netanyahu reúne hoje as condições para dizer “não” a Trump?
O plano também significa o fim político do presidente da AP, Mahmud Abbas. O papel de gestor de Gaza, que ele esperava ganhar com um acordo, ficará para burocratas palestinos sem filiação ao Hamas ou a AP — e talvez sob o comando propalado, mas não confirmado, do ex-premiê britânico Tony Blair.
O Hamas foi cercado pelo 17º ponto dos 21: se não aceitar, ou se procurar boicotar, o plano será executado mesmo assim nas áreas livres de terrorismo da Faixa de Gaza, que Israel devolverá gradualmente aos palestinos.
O plano ainda prevê a criação de um batalhão internacional temporário de “estabilização”, encarregado de treinar uma força policial palestina. No final, uma vaga esperança de um estado palestino, assim que a reconstrução de Gaza “avançar” e a reforma da AP for encerrada.
A importância do plano de Trump está nos pontos que marcam data para o fim da guerra, para a troca de reféns por prisioneiros palestinos, e traz o desmentido de anexação de Gaza, ou de sua transformação em Riviera do Oriente Médio. Mas ele não será o primeiro plano com boas intenções para o Oriente Médio a ser rejeitado, provocando uma crise maior do que a que tenta conter.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber


