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Não é fácil fazer castelos na Segurança Pública

Eduardo Oinegue analisa a contribuição de Ricardo Lewandowski durante seu período a frente do Ministério da Justiça

Por Redação
REDAÇÃO

08/01/2026 • 22:27 • Atualizado em 08/01/2026 • 22:27

Eduardo Oinegue

O Brasil já teve ministro de Estado fraco, já teve ministro de Estado muito fraco, e nos últimos quase dois anos teve Ricardo Lewandowski, que anunciou hoje a saída dele do governo.

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Lewandowski já vai tarde. Porque nesse tempo que ele ficou lá, ele não apresentou uma única medida concreta de pronta aplicação que contribuísse para mudar as pavorosas estatísticas que assustam as pessoas ou para mudar a situação confortável com que age o crime organizado.

Não vale dizer que a Polícia Federal trabalhou direito na gestão dele, porque a Polícia Federal já trabalhava direito antes da chegada dele. Não vale dizer que reservou mais dinheiro para a Federal porque a verba que interessa, que é a discricionária, praticamente não cresce há cinco anos.

Aí agora dia 5, três dias antes de anunciar a saída dele, baixou duas portarias burocráticas, uma delas instituindo um tal de Sistema Nacional de Informações Criminais para reunir os dados criminais que já existem. Ou seja, ele precisou de quase dois anos para pensar nisso.

Tem coisa simples, coisa eficiente que nunca andou e que o ministro deixou de lado, como o Banco Nacional de Perfis Genéticos para identificar marginais. Você sabe quantos perfis estão lá catalogados? Duzentos mil. E na versão americana do banco? Vinte e dois milhões de perfis.

O projeto mais importante da gestão Lewandowski é uma proposta de emenda constitucional para ampliar o papel da União no combate ao crime organizado e para entregar ao governo federal — ou seja, capturar o papel de coordenação das políticas de segurança. Só que ele propôs isso sem negociar com os governadores, que controlam as polícias e que enfrentam, para valer, a bandidagem.

Bom, na avaliação de um assessor direto do presidente Lula, Lewandowski se comportava como o personagem descrito por Toquinho na música "Aquarela". Você lembra da letra? "Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo e com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo". Só que não é fácil fazer um castelo, ainda mais na segurança pública.

Dos dez países mais ricos do mundo, nenhum é, proporcionalmente, tão violento quanto o Brasil. Matamos no Brasil quinze vezes mais do que a França, trinta vezes mais do que a Alemanha. "Ah, mas a nossa população é grande, a deles não é do tamanho que a nossa é". Pois é, a gente mata quatro vezes mais do que os Estados Unidos, que tem uma população maior, e dez vezes mais do que a Índia, bem maior.

"Ah, mas tem a pobreza". Ah é? Então por que a gente mata o dobro da África, sempre na proporção por cem mil habitantes? "Ah, mas tem a desigualdade". Sim, e a desigualdade brasileira é semelhante à do Chile, e aqui no Brasil se mata três vezes mais do que lá.

O Brasil está diante de uma encruzilhada com duas saídas possíveis. Numa, a gente assume que não tem jeito e entrega o Brasil logo pro crime organizado. Na outra, a gente assume que os governos fracassaram e a gente cobra uma política de segurança sólida e consistente.

Enquanto o crime organizado pinta e borda, o Ministério da Justiça ficou dois anos na mão de Lewandowski, que não fez nada para mudar esse quadro. Bom saber que está saindo. Que vá com Deus."

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