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Não há dúvidas de que houve tentativa de golpe, diz Alexandre de Moraes

Para o ministro do Supremo Tribunal Federal, houve uma organização criminosa que gerou dano ao patrimônio público

Da redação
DA REDAÇÃO

09/09/2025 • 10:21 • Atualizado em 09/09/2025 • 10:21

Moraes

Moraes

Antônio Augusto/Secom/TSE

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, afirmou durante seu voto no julgamento dos réus do núcleo 1 da trama golpista, na Primeira Turma da Corte, que não há dúvidas de que houve tentativa de golpe de Estado.

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“Na verdade, esse julgamento não discute se houve ou não tentativa de golpe, se houve ou não tentativa de abolição ao Estado de Direito, o que discute é a autoria, se os réus participaram, porque não há nenhuma dúvida, nenhuma dúvida nessas todas as condenações. E mais de 500 acordos de não persecução penal, de que houve tentativa de abolição ao Estado democrático de direito, de que houve tentativa de golpe, que houve uma organização criminosa e que gerou dano ao patrimônio público. Isso, tanto o plenário do Supremo Tribunal Federal reconheceu. E, por ampla maioria, o plenário do Supremo Tribunal Federal é reconhecido por nove votos a dois”, afirmou Moraes.

“Quanto a primeira turma do Supremo Tribunal Federal, o que se analisa, como nos demais núcleos que serão julgados na sequência, a autoria das infrações penais imputadas, a ação penal, como eu me referi anteriormente, lastreou-se nas provas produzidas pela Polícia Federal, no relatório que foram posteriormente complementadas, validadas pelos elementos trazidos em juízo durante a instrução processual penal, respeitado amplamente, o contraditório, a ampla defesa, como deve ser no devido processo legal”, completou.

Para Moraes, a organização criminosa, narrada na denúncia, conforme a Procuradoria-Geral da República, iniciou as condutas criminosas e os atos executórios em julho de 2021, permaneceu durante todo o período em que gerou os atos de 8 de janeiro de 2023.

Réus

São réus do núcleo crucial da trama golpista:

  • Jair Bolsonaro – ex-presidente da República;
  • Alexandre Ramagem - ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
  • Almir Garnier- ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres - ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
  • Augusto Heleno - ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
  • Paulo Sérgio Nogueira - ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto - ex-ministro de Bolsonaro e candidato à vice na chapa de 2022;
  • Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;

Acusação

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, será responsável pela acusação. Ele terá a palavra pelo prazo de até uma hora para defender a condenação dos réus.

Crimes

Todos os réus respondem no Supremo pelos crimes de:

  • Organização criminosa armada,
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito,
  • Golpe de Estado,
  • Dano qualificado pela violência e grave ameaça e
  • Deterioração de patrimônio tombado.

A exceção é o caso do ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, que, atualmente, é deputado federal. Ele foi beneficiado com a suspensão de parte das acusações e responde somente a três dos cinco crimes. A regra está prevista na Constituição.

A suspensão vale para os crimes de dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado, relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro.

Ramagem continua respondendo pelos crimes de golpe de Estado, organização criminosa armada e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.