
Operação da PF nesta quarta-feira prendeu 33
Divulgação/Polícia Federal
A Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (15), resultou na prisão temporária de 32 pessoas e no cumprimento de 45 mandados de busca e apreensão. Um outro investigado, também alvo da operação, já estava detido. Os agentes ainda tentam prender outros suspeitos que estão foragidos ou se encontram no exterior.
Dentre os presos, estão os MCs Ryan SP e Poze do Rodo, o influenciador Chrys Dias e o criador e dono dos perfis “Choquei”, Raphael Sousa Oliveira.
A ação tinha como objetivo desarticular um grupo especializado em movimentação ilícita de valores e lavagem de dinheiro. Além das prisões, foi determinado o sequestro de bens de luxo, veículos e o bloqueio de contas bancárias e participações societárias dos investigados.
Segundo a PF, o grupo, que se valia de um sistema sofisticado para a dissimulação de valores e operava tanto no Brasil quanto no exterior, teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão por meio de depósitos fracionados, transporte de dinheiro em espécie e o uso estratégico de criptoativos.O dinheiro era distribuído em diversas camadas financeiras para dificultar o rastreamento. O uso de criptoativos era uma das principais apostas do grupo para a evasão de divisas e a manutenção de fluxos internacionais.
O centro da operação
De acordo com a investigação, o funkeiro MC Ryan SP é o centro do esquema. O artista, preso em uma festa em Riviera de São Lourenço, no litoral central paulista, usava da popularidade e do alcance para servir de “blindagem” para a circulação de valores elevados, como se fossem fruto do sucesso no entretenimento.
O esquema operava com três estratégias principais: a pulverização de recursos por meio da venda de ingressos, produtos e ativos digitais para justificar entradas de dinheiro sem origem comprovada; a dissimulação, com uso de criptomoedas, dinheiro em espécie e múltiplas transferências para dificultar o rastreamento e o uso de laranjas para ocultar os verdadeiros responsáveis pelas movimentações.
Os agentes também identificaram práticas como " aluguel de CPFs" e fragmentação de valores, manobras típicas para driblar sistemas de controle.
Um dos pontos que mais chamam atenção dos investigadores é a ligação com o PCC . A investigação indica que, além de possíveis investimentos iniciais, havia um fluxo contínuo de dinheiro associado à facção, descrito como uma espécie de “mensalidade” proveniente de atividades comerciais ligadas ao grupo.
O elo seria Frank Magrini, apontado como operador financeiro com ligação ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo os investigadores, ele teria financiado o início da carreira de MC Ryan SP e atuado na engrenagem financeira do esquema.
A defesa do músico informou que “não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos”.
“Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável”, diz a nota.
"A defesa confia plenamente que os esclarecimentos necessários serão prestados oportunamente, acreditando que, já no início da investigação, a verdade dos fatos será devidamente demonstrada", completa. A defesa de MC Poze do Rodo ainda não se pronunciou
Outros envolvidos
Rodrigo Oliveira, fundador da GR6 Eventos, maior produtora de funk do país e o influenciador influencer Chrys Dias também foram alvos. Chrys foi preso em sua casa em Itupeva, no interior de São Paulo, por policiais militares – a corporação auxiliou na operação.
Raphael Sousa Oliveira também é um dos presos pela PF. O jovem é dono da página "Choquei", que soma cerca de 39 milhões de seguidores nas redes sociais , e é apontado como o operador de mídia da organização criminosa .
Segundo informações, o dono do perfil que era responsável por divulgar conteúdos favoráveis ao líder do grupo, MC Ryan SP, além de promover as plataformas de apostas e rifas utilizadas para lavagem de dinheiro.
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