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Navio do Catar cruza Ormuz pela 1ª vez desde guerra entre Irã, EUA e Israel

Em meio à tensão no Oriente Médio, embarcação atravessou estreito enquanto EUA aguardam resposta iraniana sobre proposta de paz

Da redação
DA REDAÇÃO

10/05/2026 • 09:05 • Atualizado em 10/05/2026 • 11:04

Rebocadores conduzem o petroleiro Odessa, que transporta petróleo bruto dos Emirados Árabes Unidos após atravessar o estreito de Ormuz

Rebocadores conduzem o petroleiro Odessa, que transporta petróleo bruto dos Emirados Árabes Unidos após atravessar o estreito de Ormuz

Kim Soo-hyeon-8.mai.2026/Reuters

O primeiro navio-tanque de gás natural liquefeito (GNL) do Catar atravessou neste domingo (10) o estreito de Ormuz desde o início da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, informou a Reuters. A embarcação, operada pela QatarEnergy, seguia em direção ao porto de Qasim, no Paquistão, segundo dados da empresa de análise marítima Kpler.

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A travessia ocorre em meio à expectativa internacional por uma resposta de Teerã a uma proposta americana para encerrar formalmente o conflito e iniciar negociações de paz. O navio Al Kharaitiyat cruzou o estreito sem incidentes após cerca de 48 horas de relativa calmaria na região, marcada nas últimas semanas por confrontos esporádicos e ataques envolvendo forças iranianas e embarcações dos EUA. A informação sobre o trajeto foi divulgada pela Reuters.

Segundo fontes ouvidas pela agência, a autorização iraniana para a passagem da embarcação teria sido concedida como gesto para fortalecer a confiança diplomática com Catar e Paquistão, países que atuam como mediadores no conflito. O carregamento representa um alívio parcial para o Paquistão, que enfrenta apagões e dificuldades energéticas desde a interrupção das importações de gás provocada pela guerra.

Apesar da autorização ao navio catariano, autoridades iranianas elevaram o tom contra países alinhados às sanções impostas pelos Estados Unidos. A agência semioficial Tasnim afirmou neste domingo que embarcações de países que seguem as restrições americanas poderão enfrentar dificuldades para atravessar o Estreito de Ormuz.

A passagem marítima se tornou um dos principais pontos de tensão do conflito. Antes da guerra, cerca de 20% do petróleo consumido no mundo passava pelo estreito, considerado estratégico para o comércio global de energia. Desde o agravamento das hostilidades, o Irã vem restringindo a circulação de embarcações estrangeiras na região.

Parlamentares iranianos também trabalham em um projeto de lei para formalizar o controle do país sobre o estreito. Entre as medidas em discussão está a proibição da passagem de navios de “Estados hostis”, segundo autoridades locais.

Nos bastidores diplomáticos, Washington aguarda uma resposta formal de Teerã a uma proposta apresentada pelos EUA para encerrar a guerra antes da abertura de negociações mais amplas, incluindo o programa nuclear iraniano. De acordo com a Reuters, a jornalista Margot Haddad, da emissora francesa LCI, afirmou ter ouvido do presidente Donald Trump, em uma breve entrevista no sábado (9), que a resposta iraniana deve chegar “muito em breve”.

A pressão sobre Trump para encontrar uma solução rápida para o conflito aumentou nos últimos dias, especialmente às vésperas de sua viagem oficial à China nesta semana. O prolongamento da guerra já provoca reflexos na economia global, impulsionando os preços da energia e ampliando o temor de uma crise internacional de abastecimento.

Também neste domingo, o Kuwait informou ter identificado drones hostis em seu espaço aéreo nas primeiras horas do dia, embora não tenha detalhado a origem dos aparelhos nem relatado ataques.

Na sexta-feira (8), os Emirados Árabes Unidos voltaram a ser alvo de ataques, enquanto confrontos esporádicos entre forças iranianas e navios americanos foram registrados nas proximidades do Estreito de Ormuz, segundo relatos divulgados pela Reuters.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, se reuniu no sábado (9), em Miami, com o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman al-Thani. Em nota, o Departamento de Estado americano afirmou que ambos discutiram a necessidade de continuar trabalhando para “dissuadir ameaças e promover estabilidade e segurança no Oriente Médio”, sem mencionar diretamente o Irã.