Jornal da Band

Estreito de Ormuz: por que a região é o maior gargalo da economia mundial

Tensões no Oriente Médio ameaçam rotas marítimas que concentram 20% do petróleo global e ligam o comércio entre Ásia e Europa

Phillip Lucas
PHILLIP LUCAS

02/04/2026 • 21:48 • Atualizado em 02/04/2026 • 21:48

O conflito no Oriente Médio, que já ultrapassa a marca de um mês, gera impactos profundos na economia global devido ao controle estratégico de canais marítimos. O Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã, tornou-se o ponto central de pressão contra os Estados Unidos e aliados. Por essa via estreita circula cerca de 20% de todo o petróleo consumido no planeta, além de insumos fundamentais, como fertilizantes.

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O canal possui apenas 33 quilômetros de largura entre suas margens. No entanto, a navegabilidade para grandes navios cargueiros é limitada a uma fração ainda menor desse espaço. A movimentação funciona como uma via de mão dupla por faixas específicas. Qualquer desvio na rota coloca as embarcações sob risco de encalhe ou de se tornarem alvos militares.

O controle militar e os riscos de navegação

A fiscalização no Estreito de Ormuz é exercida de forma rígida pelo Irã. Militares iranianos monitoram o fluxo a partir de áreas montanhosas nas margens, posição geográfica que facilita ataques estratégicos. Nos últimos 33 dias, embarcações que tentaram realizar a travessia foram alvos de mísseis e drones.

Além das ameaças aéreas, a presença de minas submersas representa um perigo constante para a frota mercante. Devido à insegurança, poucas empresas de logística marítima arriscam manter o trajeto original. O bloqueio parcial ou total da via tem o potencial de desestabilizar os preços de energia e commodities em escala global.

Ameaça se estende ao canal Bab el-Mandeb

A instabilidade no Oriente Médio ameaça agora uma segunda rota vital: o estreito de Bab el-Mandeb. Localizado no outro extremo da Península Arábica, o canal liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico pelo Golfo de Aden. O local é conhecido historicamente como "Portão das Lágrimas".

A preocupação das autoridades internacionais reside na atuação dos houthi, grupo rebelde que controla parte do Iêmen e recebe financiamento do Irã. A presença de combatentes no oeste do país coloca a margem asiática do estreito sob influência direta de aliados iranianos. Caso o grupo decida ampliar o apoio ao Irã no conflito, o fluxo comercial para o Ocidente pode sofrer uma interrupção sem precedentes.

O impacto no Canal de Suez e no comércio global

O bloqueio de Bab el-Mandeb teria um efeito cascata no Canal de Suez, situado ao norte do Mar Vermelho. Suez é a principal ligação marítima entre a Ásia e a Europa através do Mar Mediterrâneo. Milhares de navios transitam diariamente por essa hidrovia, transportando toneladas de produtos manufaturados e matérias-primas.

Atualmente, potências como Estados Unidos, França e China mantêm bases militares no Djibuti, no lado africano do estreito, para inibir a pirataria e garantir a segurança. Contudo, a entrada formal dos rebeldes iemenitas no conflito elevaria o nível de risco a um patamar que a escolta militar convencional poderia não ser capaz de neutralizar sem uma escalada direta nas hostilidades.