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O que pode acontecer se o Irã fechar o Estreito de Ormuz, rota principal do petróleo mundial

Possível fechamento da rota pode impactar os preços dos combustíveis do mundo todo

Por Redação
REDAÇÃO

23/06/2025 • 10:58 • Atualizado em 23/06/2025 • 10:58

 Petroleiros passam pelo Estreito de Ormuz (21.dez.2018)

Petroleiros passam pelo Estreito de Ormuz (21.dez.2018)

Hamad I Mohammed/Reuters

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está em reunião, nesta segunda-feira (23), com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para tratar de medidas que possam conter uma possível alta nos preços dos combustíveis, caso o Irã feche o Estreito de Ormuz.

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O governo estaria preocupado com o impacto que a escalada nos preços pode ter sobre a inflação brasileira.

No domingo (22), o Parlamento iraniano aprovou uma proposta que prevê o fechamento do Estreito de Ormuz — via estratégica para o transporte mundial de petróleo e gás natural — em resposta a ataques dos Estados Unidos contra instalações nucleares no país.

O anúncio foi feito por veículos da imprensa local. A decisão final, no entanto, cabe ao Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, que ainda não definiu um prazo para se posicionar.

Caso o bloqueio seja confirmado, analistas avaliam que haverá pressão imediata sobre os preços internacionais do petróleo e do gás, além de possíveis atrasos no abastecimento global dessas commodities.

Onde fica o Estreito de Ormuz?

O Estreito de Ormuz é uma estreita via navegável de aproximadamente 33 quilômetros de largura, situada entre o Irã e Omã. Por ele transitam navios que saem do Golfo Pérsico em direção ao Mar Arábico.

De acordo com a Administração de Informações de Energia dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês), trata-se do principal ponto de estrangulamento no transporte global de petróleo.

No trecho mais estreito, a passagem navegável tem apenas 3,2 quilômetros de largura em cada direção, tornando o tráfego marítimo denso e, muitas vezes, perigoso.

Por essa rota escoam grandes volumes de petróleo bruto produzidos por países da Opep, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque, com destino a consumidores ao redor do mundo.

Segundo a consultoria Vortexa, cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto, condensado e derivados passam diariamente pelo estreito.

O Catar, um dos maiores exportadores mundiais de gás natural liquefeito (GNL), também depende fortemente da hidrovia para transportar a commodity.

Qual é a situação atual no estreito?

O aumento das tensões entre Irã e Israel elevou os riscos para a segurança da rota. Historicamente, o Irã já ameaçou fechar o Estreito de Ormuz como forma de retaliação a pressões do Ocidente.

Diante da escalada recente, armadores têm demonstrado cautela. Algumas embarcações reforçaram a segurança, enquanto outras cancelaram rotas que cruzariam o estreito, informou a agência AP.

Apesar de nenhum ataque relevante à navegação ter sido registrado desde sexta-feira, dois petroleiros colidiram nesta terça-feira (17/06) na costa dos Emirados Árabes Unidos. Ambos pegaram fogo, mas não houve vítimas nem derramamento de óleo.

Fontes navais relataram à Reuters um aumento significativo nas interferências eletrônicas nos sistemas de navegação de navios comerciais na região do estreito e do Golfo, dificultando a operação segura dessas embarcações.

Sem perspectiva de solução imediata para o conflito, os mercados seguem em alerta. Qualquer interrupção na hidrovia pode causar uma disparada nos preços do petróleo bruto, afetando principalmente países importadores da Ásia.

O custo do frete para transporte de combustíveis do Oriente Médio ao Leste Asiático subiu quase 20% em apenas três sessões, até segunda-feira. Já o transporte para a África Oriental teve alta superior a 40%, segundo dados da Baltic Exchange citados pela Bloomberg.

Quem seria mais afetado em um bloqueio?

A EIA estima que 82% das cargas de petróleo bruto e combustíveis que cruzam o Estreito de Ormuz têm como destino o mercado asiático.

China, Índia, Japão e Coreia do Sul são os principais consumidores, sendo responsáveis por quase 70% de todo o fluxo que passa pela hidrovia. Esses países seriam os mais prejudicados em caso de interrupção.

Como um bloqueio afetaria o Irã e os países do Golfo?

Se o Irã decidir fechar o estreito, o movimento pode desencadear uma resposta militar dos Estados Unidos. A Quinta Frota da Marinha americana, baseada no Bahrein, é responsável pela segurança da navegação na região.

Além disso, uma ação desse tipo comprometeria as relações de Teerã com países do Golfo, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos — nações com as quais o Irã vem tentando restabelecer laços nos últimos anos.

Embora países da região tenham criticado os ataques de Israel ao Irã, um bloqueio que afete suas exportações pode forçá-los a se posicionar contra Teerã.

É importante destacar que o próprio Irã também depende do Estreito de Ormuz para escoar seu petróleo. Um bloqueio da hidrovia, portanto, poderia ser prejudicial para o país.

"A economia iraniana depende fortemente da livre circulação de mercadorias e embarcações pela rota, já que suas exportações de petróleo são inteiramente marítimas", afirmaram os analistas Natasha Kaneva, Prateek Kedia e Lyuba Savinova, do JP Morgan, à Reuters.

Segundo eles, impedir a passagem de navios seria um movimento contraproducente, inclusive no relacionamento com seu principal comprador de petróleo: a China.

Existem alternativas ao estreito?

Alguns países do Golfo Pérsico vêm investindo em infraestrutura para reduzir sua dependência do Estreito de Ormuz.

A Arábia Saudita, por exemplo, conta com o Oleoduto Leste-Oeste, que tem capacidade para transportar até 5 milhões de barris de petróleo por dia até o Mar Vermelho.

Os Emirados Árabes Unidos, por sua vez, operam um oleoduto que liga os campos petrolíferos terrestres ao terminal de exportação de Fujairah, no Golfo de Omã.

Estima-se que cerca de 2,6 milhões de barris por dia possam ser transportados por rotas alternativas em caso de bloqueio do estreito, segundo a EIA.