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O que são acordos de paz e como funcionam as negociações internacionais

Tratados buscam encerrar guerras e conflitos armados com compromissos políticos, sociais e territoriais

Nicole Defillo
NICOLE DEFILLO

31/07/2025 • 10:42 • Atualizado em 31/07/2025 • 10:42

Acordo de paz

Acordo de paz

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Resumo

Acordos de paz são tratados destinados a encerrar conflitos armados, envolvendo compromissos legais e políticos entre as partes beligerantes, como governos e grupos rebeldes.

Em 2025, mais de 110 conflitos armados estão ativos globalmente, com destaque para Ucrânia, Sudão, Iêmen e Faixa de Gaza, resultando em mais de 120 milhões de deslocados, o maior número desde a Segunda Guerra Mundial.

Os acordos de paz variam de bilaterais a multilaterais e podem incluir cessar-fogo temporário, discussões sobre reformas políticas e supervisão internacional para garantir o cumprimento dos termos acordados.

Acordos de paz são tratados formais assinados entre dois ou mais lados envolvidos em um conflito armado — como países, governos ou grupos rebeldes — com o objetivo de encerrar as hostilidades e estabelecer regras para uma convivência pacífica. Eles costumam ser firmados após guerras civis, invasões militares, disputas territoriais ou enfrentamentos étnicos e religiosos.

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Nem todo cessar-fogo resulta em um acordo de paz. O acordo é mais abrangente: envolve compromissos legais, concessões políticas, cronogramas de desmobilização de tropas, garantias para civis e, em muitos casos, mecanismos de monitoramento internacional.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), em 2025 há mais de 110 conflitos armados ativos no mundo, com destaque para as situações na Ucrânia, Sudão, Iêmen e Faixa de Gaza. O número de deslocados forçados já ultrapassa 120 milhões de pessoas — o maior desde a Segunda Guerra Mundial.

Apesar dos esforços de organismos internacionais para mediar esses conflitos, muitos acordos enfrentam dificuldades para se manter. Entre os principais desafios estão a instabilidade política, a desconfiança entre as partes envolvidas e a atuação de grupos armados que não reconhecem os tratados. A ONU estima que cerca de 60% dos conflitos retomam a violência nos primeiros cinco anos após a assinatura de um acordo.

Como esses acordos são negociados?

As negociações podem ocorrer diretamente entre os envolvidos ou com mediação de países neutros, organizações internacionais — como a ONU — ou grupos diplomáticos especializados.

As etapas mais comuns incluem:

  • Cessar-fogo temporário, que permite o início das conversas;
  • Reconhecimento mútuo das partes, incluindo insurgentes ou governos não reconhecidos;
  • Discussão dos termos, como devolução de territórios, anistias, reformas políticas, divisão de poder ou garantias de segurança;
  • Supervisão internacional, com observadores externos monitorando o cumprimento do acordo;
  • Assinatura formal, muitas vezes acompanhada de cerimônia pública para reforçar o compromisso político.

Quem participa das negociações?

Além dos representantes diretos dos lados em conflito, costumam participar:

  • Diplomatas de países mediadores;Representantes da ONU, União Europeia, União Africana ou Liga Árabe;
  • ONGs e especialistas em direitos humanos;
  • Líderes religiosos ou comunitários, especialmente em regiões com forte influência local.

A credibilidade dos mediadores e o equilíbrio de forças entre os lados são fatores decisivos para o sucesso do processo.

Quais são os tipos de acordos de paz?

Os acordos variam conforme o tipo de conflito:

  • Acordos bilaterais: entre dois Estados, como o tratado entre Egito e Israel, de 1979;
  • Acordos internos: entre governos e grupos rebeldes, como o acordo entre as FARC e o governo da Colômbia, em 2016;
  • Acordos regionais ou multilaterais: quando envolvem várias nações ou organismos internacionais.

Alguns tratados incluem medidas adicionais, como a criação de zonas desmilitarizadas, reparações financeiras, programas de reconstrução e reintegração de ex-combatentes.

Qual o papel do Brasil nas negociações de paz?

O Brasil participa ativamente de missões de paz da ONU e, por meio do Itamaraty, já atuou como observador ou mediador em negociações na América Latina e na África.

Em 2025, o país integra o Conselho de Segurança da ONU como membro não permanente e tem reforçado seu apoio ao diálogo em conflitos recentes, principalmente em países de língua portuguesa.

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