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Oinegue: 'Candidatos sabem tudo de rede social. Já de Brasil...'

Propostas dos possíveis candidatos à Presidência precisam ter estratégias longas e duradouras

Por Redação
REDAÇÃO

13/07/2026 • 23:37 • Atualizado em 13/07/2026 • 23:37

Eduardo Oinegue

Os candidatos à Presidência estão se preparando para discutir os grandes temas nacionais? Você enxerga neles uma preocupação real em tirar o Brasil da mesmice? Até quarta-feira (15), a Casa Branca deve decidir se impõe uma nova tarifa sobre produtos brasileiros.

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É mais um capítulo da disputa comercial que já envolve Estados Unidos, China e boa parte do mundo. E a questão é saber até quando o Brasil vai continuar vulnerável às decisões que são tomadas lá fora. O problema não é simplesmente saber negociar com Donald Trump, com Xi Jinping.

Claro que isso ajuda, mas diplomacia não substitui uma economia forte. O que protege um país é a capacidade de produzir o que o mundo não encontra em qualquer lugar. Tem um estudo internacional mostrando que 95% dos países dependentes de commodities há 30 anos continuam hoje dependendo das commodities.

Escapar dessa armadilha é o grande desafio e o Brasil parece não ligar para isso. Imagina, imagina comprar mil quilos de matérias-primas, aço, plástico, alumínio, vidro, borracha, ferro fundido, tecido, couro, enfim, tudo isso custa em torno de 10 mil reais, esse conjunto que eu descrevi.

Pois com esse material, a Volkswagen fabrica um carro chamado Polo, que ela vende por R$ 95 mil. Você percebe a riqueza nascendo? O aço, o plástico, o alumínio, sei lá, qualquer um compra. O que não está à venda é engenharia, projeto, software, design, tecnologia, marca, logística E o conhecimento acumulado em décadas é isso que multiplica o valor de um produto.

Pega outro exemplo, a bolsa Birkin, da grife Hermès. A versão mais barata, se é que dá para falar em barata, nesse caso, custa por volta de R$ 70 mil. O couro e a fabricação representam uma fração desse preço, fração pequena.

O restante é marca, design, tradição, exclusividade. É conhecimento transformado em riqueza. E o Brasil continua exportando principalmente soja, milho, minério de ferro, petróleo, carne, celulose. Não é ruim. O problema é depender das commodities.

Não existe uma relação direta entre você ser um país rico e ter recursos naturais. Fica rico o país que aprende a transformar recursos naturais, que muitas vezes ele tem que importar, em produtos de maior valor agregado. E para mudar o quadro, o Brasil precisa de uma estratégia longa, duradoura, de desenvolvimento que sobreviva aos governos.

Tem que formar mais engenheiros, tem que ter técnicos, cientistas, tem que ter pesquisa, área estratégica. Tem que reduzir o custo do Brasil, tem que criar um ambiente favorável à inovação, ao investimento de longo prazo. Ou seja, continuidade, consenso, bom senso, maturidade política.

Quem é que está propondo essa discussão na campanha presidencial? Enquanto os candidatos pensarem só em corte para a rede social, ataque, pessoal, o Brasil vai continuar exportando matéria-prima e pagando caro por produtos feitos à base de inteligência.

E vai continuar constatando a cada nova crise internacional, como a que a gente tem hoje, que o mundo avança enquanto a gente fica para trás.

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