Um jornalista publica que parentes do ministro Flavio Dino, do Supremo, usaram um carro oficial. A Polícia Federal vai até à casa dele. Apreende celulares, apreende notebook. A ordem de busca e apreensão foi assinada por Alexandre de Moraes.
Qual é o crime imputado ao reporter? Perseguição. E as provas da perseguição? As reportagens. Ou seja: pelas regras de Dino e Moraes apurar e publicar uma notícia pode ser indício de prática criminal.
Só que pelas regras da Constituição um repórter tem o direito de publicar as informações que ele apura. Mesmo que sejam sobre Dino - e ainda que estejam erradas. Sendo que nesse caso a informação não foi desmentida. A toga não proporciona poderes especiais. Ou pelo menos, não deveria.
Dino pode contestar o conteúdo na Justiça usando o direito de resposta e as ferramentas disponíveis. Mão pesada do Estado na defesa de um interesse pessoal, jamais. Olha o recado que esse caso deixa. Noticia sobre ministro do Supremo só se for a favor. Se pisar no calo vale uma a porta arrrombada.
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