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OTAN: crise entre EUA e Groenlândia acende alerta geopolítico

A Sala Digital levantou as principais perguntas sobre a aliança e explica o que está em jogo diante de uma escalada na crise internacional

Alessandra Petraglia
ALESSANDRA PETRAGLIA

07/01/2026 • 12:06 • Atualizado em 07/01/2026 • 12:06

Trump pronunciamento

Trump pronunciamento

Nathan Howard/Reuters

As recentes declarações do presidente Donald Trump sobre a possível anexação da Groenlândia reacenderam um alerta geopolítico e colocaram no centro do debate a OTAN, uma aliança criada após a Segunda Guerra Mundial para evitar grandes conflitos. Esse movimento coloca a organização diante de um risco inédito: uma tensão dentro do próprio grupo.

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A Sala Digital levantou algumas das perguntas feitas no Google sobre a OTAN nos últimos dias e responde cada uma delas para ajudar você a entender o que está em jogo.

1. O que é a OTAN?

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) foi fundada em 1949, no início da Guerra Fria, para proteger seus membros contra ameaças externas e evitar novos conflitos de grande escala.

O princípio central da OTAN está no Artigo 5 do tratado, que estabelece que um ataque contra qualquer membro deve ser considerado um ataque contra todos. Na prática, isso significa que os países da aliança são obrigados a se defender mutuamente.

2. A Groenlândia é membro da OTAN?

Sim. A aliança reúne atualmente 32 países da Europa e da América do Norte, incluindo: Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha, Portugal, Noruega, Dinamarca, Turquia, Polônia, além dos países bálticos e outras nações europeias.

3. Por que os Estados Unidos querem a Groenlândia?

O governo Trump passou a classificar o controle da Groenlândia como uma “prioridade de segurança nacional”. O interesse americano é motivado por uma combinação de fatores estratégicos, econômicos e militares:

  • Posição geográfica estratégica, entre o Ártico e o Atlântico Norte, fundamental para conter a influência de Rússia e China;
  • Base aérea de Pituffik (antiga Thule), essencial para o sistema americano de alerta contra mísseis balísticos;
  • Reservas de minerais de terras raras, indispensáveis para a produção de chips e tecnologias avançadas;
  • Potencial de petróleo e gás;
  • Novas rotas comerciais no Ártico, abertas pelo degelo acelerado da região.

Assessores da Casa Branca, como Stephen Miller, chegaram a afirmar publicamente que o uso da força militar é uma opção, enquanto o secretário de Estado, Marco Rubio, indicou que os EUA tentariam primeiro uma compra direta da ilha.

A resposta da Groenlândia foi imediata. O governo afirmou que “a região não está à venda” e que pertence ao seu próprio povo.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, classificou a ideia de uma invasão como algo que poderia representar o fim da OTAN como a conhecemos.

4. Por que a Groenlândia faz parte da Dinamarca?

A Groenlândia faz parte da Dinamarca principalmente devido ao Tratado de Kiel, de 1814. Antigamente, a Dinamarca e a Noruega formavam um único reino que controlava a ilha, mas, quando essa união foi desfeita, o tratado definiu que a Noruega seria cedida à Suécia, enquanto a Dinamarca manteria as colônias, incluindo a Groenlândia.

Atualmente, a região é um território autônomo. Os groenlandeses têm seu próprio governo e cuidam de quase tudo, enquanto os dinamarqueses permanecem responsáveis apenas pela defesa e pelas relações externas da ilha.

5. A OTAN defenderá a Groenlândia?

É difícil projetar o que poderia acontecer diante de um ataque americano, já que um conflito entre países da aliança jamais aconteceu desde a sua criação. Entretanto, o Artigo 5 do tratado estabelece a lógica de “mexeu com um membro, mexeu com todos”.

6. Quantas pessoas vivem na Groenlândia?

A Groenlândia tem uma população muito pequena, com cerca de 56 mil habitantes, sendo uma das menores do mundo, com a maioria vivendo nas áreas costeiras não congeladas, principalmente na capital, Nuuk.

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