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Péter Magyar: quem é o advogado que encerrou 16 anos de Orbán na Hungria

Ex-aliado de Viktor Orbán, advogado de 46 anos comandará o governo do país com plataformas como taxação de ricos, reaproximação da UE e independência energética de Moscou

Da redação
DA REDAÇÃO

12/04/2026 • 16:53 • Atualizado em 12/04/2026 • 16:53

A era Viktor Orbán no governo da Hungria chegou ao fim. Péter Magyar, advogado de 45 anos e líder do partido Tisza venceu as eleições legislativas húngaras deste domingo (12) e será o 60º primeiro-ministro do país.

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Orbán ligou para Magyar para parabenizar pela vitória antes mesmo de falar publicamente. "Acabou de ligar para nos felicitar pela nossa vitória", escreveu Magyar nas redes sociais. Minutos depois, Orbán subiu ao palanque na sede do seu partido, o Fidesz, e reconheceu o resultado.

"Os resultados da eleição, embora ainda não sejam definitivos, são claros e compreensíveis; para nós, são dolorosos, mas inequívocos", disse Orbán, que também afirmou que seu partido "servirá como oposição".

Com quase 90% das cédulas apuradas, o Tisza projeta 138 dos 199 assentos da Assembleia, o que representa uma supermaioria de dois terços capaz de promover reformas constitucionais. O Fidesz ficará com 54 e Mi Hazánk terá 7 assentos, segundo o órgão eleitoral nacional.

De aliado a rival

Magyar nasceu em 16 de março de 1981. Cresceu em família conservadora e conviveu com a política desde pequeno, já que seu padrinho, Ferenc Mádl, foi presidente da Hungria. Se formou em Direito na Universidade Católica Pázmány Péter e advogou nas áreas de Direito Internacional e Corporativo.

Foi membro do Fidesz antes de romper publicamente com o governo em fevereiro de 2024. A virada veio após um escândalo de repercussão nacional: a presidente Katalin Novák concedeu indulto a um condenado envolvido num caso de pedofilia. A crise derrubou a presidente e Judit Varga, que era ministra da Justiça e ex-esposa de Magyar.

Ele aproveitou o momento e, em março de 2024, realizou um comício em Budapeste com milhares de pessoas anunciando a formação de uma nova plataforma política, assumindo em seguida a liderança do até então obscuro Partido Tisza.

Ideologicamente, ele se apresenta como conservador e pró-europeu. Entre suas principais propostas estão reformas para desbloquear cerca de 18 bilhões de euros em fundos europeus retidos por Bruxelas por questões relacionadas ao Estado de direito, além de taxar os mais ricos e reformar o sistema de saúde.

Magyar também promete distanciar a Hungria da Rússia e buscar independência energética do país em relação a Moscou até 2035.

O slogan de campanha do Tisza foi direto ao ponto: "Agora ou nunca!" – e nas últimas semanas, faixas com "ou nunca" riscado começaram a aparecer pelas ruas húngaras, indicando urgência.

A Hungria registrou participação eleitoral recorde, com 77,8% dos eleitores nas urnas até às 18h30 do horário local, 12 pontos percentuais acima do registrado no mesmo horário em 2022.

Ao votar pela manhã, Magyar foi enfático: "Ninguém deve ter medo. Hoje haverá uma mudança de sistema na Hungria. Milhões de húngaros farão história."

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