
Gustavo Petro, presidente da Colômbia
Luisa Gonzalez/Reuters
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta segunda-feira (6) que não reconhece a vitória do presidente eleito, Abelardo de la Espriella, e convocou manifestações para o próximo dia 20 de julho, data em que o país celebra sua Independência.
Em publicação no X (antigo Twitter), o mandatário de esquerda rejeitou o resultado do segundo turno realizado em 21 de junho, no qual Espriella foi eleito por menos de um ponto percentual sobre o senador governista Iván Cepeda.
"O presidente da Colômbia não reconhece a legitimidade do novo governo. Abelardo não venceu as eleições", escreveu. Na mesma publicação, Petro afirmou reconhecer apenas Cepeda, filósofo derrotado nas urnas: "O presidente da Colômbia aceita, de acordo com a decisão do povo colombiano, o filósofo Iván Cepeda".
Ao contestar o resultado, Petro sustentou que houve ilegalidades na votação e na contagem dos votos. Segundo ele, o país está diante de "evidências de uma fraude eleitoral por via algorítmica e com financiamento estrangeiro proibido em nossa constituição".
O presidente afirmou, sem apresentar provas, que os resultados teriam sido alterados a partir de um servidor com endereço de IP localizado em Los Angeles, na Califórnia, atribuindo a suposta manipulação aos irmãos Bautista. A votação foi oficializada pelo Conselho Nacional Eleitoral, que entregou a Espriella a credencial de presidente eleito com 12,9 milhões de votos, contra 12,7 milhões de Cepeda.
A convocação para 20 de julho ocorre um dia depois de Petro chamar a população para atos em defesa das reformas sociais promovidas por seu governo. O presidente descreveu a data como um "grito de independência" e afirmou que a mobilização buscará defender as mudanças aprovadas em sua gestão.
Ele também convidou os colombianos a acompanharem o desfile militar do feriado e, em seguida, a assistirem ao seu discurso de despedida como chefe de Estado. A menção a uma despedida antecipada levantou dúvidas sobre a participação de Petro na cerimônia de posse de Espriella, marcada para 7 de agosto.
As declarações reforçam o discurso adotado por setores governistas desde a eleição. Cepeda, embora tenha reconhecido o resultado, afirmou que pretende adotar uma postura de "desobediência civil" caso o futuro governo mantenha alinhamento com a política dos Estados Unidos. A convocação, segundo Petro, começou a ser organizada em ato realizado em Cali, onde o senador teria iniciado a articulação da resistência.
No campo jurídico, o advogado e ex-magistrado do Conselho Nacional Eleitoral Luis Guillermo Pérez, aliado de Petro, anunciou que apresentará ação para tentar anular a eleição de Espriella. Entre os argumentos está a dupla nacionalidade do presidente eleito, que também possui cidadania norte-americana — o que, segundo Pérez, comprometeria a soberania colombiana em razão do juramento exigido para obtenção da nacionalidade dos Estados Unidos.
O argumento contraria entendimento do Tribunal Superior de Bogotá, que decidiu, no fim de junho, que a aquisição de outra nacionalidade não impede o exercício de cargos públicos nem configura inelegibilidade.
Missões de observação eleitoral validaram o pleito. Em relatório preliminar, observadores da União Europeia classificaram o processo como transparente e bem organizado, destacando que juízes e notários garantiram revisão independente da apuração, acompanhada por representantes jurídicos das duas campanhas.
Eleito sem experiência prévia em cargos públicos, Espriella defende a redução da máquina estatal, o estímulo ao investimento privado e o endurecimento das ações contra guerrilhas e organizações ligadas ao narcotráfico. Admirador de Donald Trump, o advogado e empresário de 47 anos representou a virada conservadora na América do Sul e assumirá o comando do país em 7 de agosto, sucedendo Petro após quatro anos de governo.

