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Polícia Civil prende quadrilha que assaltava trens de carga em SP

Investigação aponta prejuízo de R$ 13 milhões em esquema de "surfistas de trem" que desviavam açúcar e soja destinados ao Porto de Santos (SP)

Da redação
DA REDAÇÃO

17/03/2026 • 19:37 • Atualizado em 17/03/2026 • 19:37

Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã desta terça-feira (17), a Operação Ouro Branco no município de Aguaí, no interior do estado. A ação visa desmantelar uma organização criminosa especializada no furto e receptação de cargas ferroviárias, especificamente açúcar e farelo de soja, que tinham como destino o Porto de Santos (SP).

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A investigação, conduzida pelo Setor de Investigações Gerais (SIG) de Aguaí, estima que o esquema tenha causado um prejuízo superior a R$ 13 milhões nos últimos dois anos. Até o momento, quatro pessoas foram presas temporariamente e diversos mandados de busca e apreensão foram cumpridos em galpões e propriedades rurais da região.

O grupo operava com uma logística profissional e arriscada. Criminosos conhecidos como "surfistas" subiam nos trens ainda em movimento em trechos de baixa velocidade. Eles rompiam os lacres e abriam as comportas dos vagões, fazendo com que a carga fosse despejada ao longo da linha férrea.

Na sequência, equipes de apoio faziam o recolhimento do produto às margens dos trilhos. A mercadoria era transportada para centros de distribuição clandestinos em Aguaí, onde passava por um processo de "limpeza" e era reensacada para ocultar a origem ilícita.

De acordo com a Polícia Civil, o diferencial desta quadrilha era a capacidade de reinserir o produto furtado no mercado formal. Com o uso de notas fiscais falsas, o açúcar e a soja eram revendidos para empresas legítimas como se fossem de origem legal, dificultando a fiscalização tributária e sanitária.

As investigações começaram em dezembro de 2025, após um aumento atípico na oferta de grãos e açúcar a preços abaixo do mercado em cidades do interior paulista. O monitoramento de inteligência identificou que os líderes do grupo ostentavam um padrão de vida incompatível com suas rendas declaradas, adquirindo veículos de luxo e imóveis com o lucro do crime.

Segurança ferroviária

A operação acontece em um momento de alerta para a segurança nas ferrovias de São Paulo. Além dos furtos, a região de Aguaí registrou recentemente um grave acidente em um cruzamento rodoferroviário, onde uma família sobreviveu após o carro ser arrastado por uma locomotiva.

A Polícia Civil segue com as diligências para identificar outros receptadores e possíveis funcionários de transportadoras que possam ter facilitado informações sobre o trajeto e o conteúdo dos vagões. Os presos responderão por organização criminosa, furto qualificado e receptação.