Agroband

Tensão no Oriente Médio eleva preços e ameaça logística do açúcar

Conflito internacional valoriza petróleo e pode reter parte da exportação brasileira em armazéns

Da redação
DA REDAÇÃO

17/03/2026 • 10:57 • Atualizado em 17/03/2026 • 10:57

Gerado por IA

Resumo

O mercado do açúcar cristal branco em São Paulo registrou queda na última semana, influenciado pela valorização internacional do petróleo e pelas tensões no Oriente Médio, que trazem incertezas para o setor.

O movimento de ajuste no mercado físico paulista refletiu um menor volume de negociações, enquanto a alta do petróleo elevou os custos de produção e impactou as cotações externas do açúcar, segundo pesquisadores do Cepea.

O prolongamento dos conflitos no Oriente Médio ameaça a logística de exportação, podendo dificultar o envio do produto e reter parte das 5 milhões de toneladas destinadas à região, que representam 15% das exportações brasileiras em 2025.

O Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco registrou queda no mercado spot de São Paulo na última semana, mas o cenário internacional acende um alerta para o setor. A escalada das tensões no Oriente Médio e a valorização do petróleo, que atingiu US$ 103,00 por barril, começaram a influenciar as cotações na Bolsa de Nova York, trazendo incertezas sobre o escoamento da produção brasileira.

Compartilhar

Impacto nos preços e mercado físico

Apesar das pressões externas, o mercado físico paulista apresentou um movimento de ajuste. Na última semana, o indicador do açúcar cristal branco (Icumsa 130-180) iniciou o período com uma alta moderada, mas seguiu em trajetória de queda nos dias subsequentes.

Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), esse comportamento reflete um menor volume de negociações no momento. No entanto, o cenário global é ditado pela instabilidade geopolítica. O avanço do petróleo de US$ 72,00 para US$ 103,00 por barril impulsiona os valores externos do adoçante, já que a energia mais cara afeta diretamente os custos de produção e a dinâmica das usinas.

Logística e exportação em risco

A continuidade dos conflitos no Oriente Médio preocupa especialistas devido aos gargalos logísticos. Pesquisadores do Cepea destacam que o prolongamento das tensões pode intensificar as dificuldades para o transporte do açúcar.

O aumento nas distâncias de navegação, somado à elevação nos custos de frete e seguro, tende a dificultar o envio do produto. O Oriente Médio é um parceiro estratégico para o agronegócio nacional. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), países como Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos e Israel foram destino de mais de 5 milhões de toneladas de açúcar brasileiro em 2025.

Este volume representa 15% de toda a exportação nacional do produto. Caso as rotas comerciais permaneçam inseguras, parte dessa carga poderá ficar retida em armazéns nas regiões produtoras, aguardando janelas de embarque mais favoráveis.