
Dark Horse é o novo filme sobre Jair Bolsonaro
Reprodução/Instagram/@therealjimcaviezel
A Prefeitura de São Paulo notificou o Instituto Conhecer Brasil, ONG presidida por Karina da Gama e ligada à produção do filme Dark Horse, para explicar despesas de R$ 13,4 milhões realizadas no primeiro semestre do ano passado em contrato para instalação de pontos de wi-fi gratuito em comunidades de baixa renda da capital.
De acordo com o ofício enviado pela administração municipal, a entidade deve detalhar 41 gastos considerados suspeitos. Parte das despesas não tem comprovação por notas fiscais ou descrição clara dos serviços prestados.
Contrato milionário de inclusão digital
Em 2024, o Instituto Conhecer Brasil firmou com a Prefeitura de São Paulo um convênio de 108 milhões de reais para levar internet gratuita a áreas vulneráveis. O termo foi posteriormente aditado em 49 milhões de reais, elevando o valor total do acordo.
O contrato está na mira da Polícia Civil paulista, que investiga suspeitas de fraude e desvio de recursos públicos. Segundo a corporação, há indícios de que parte da verba destinada ao projeto de wi-fi social possa ter sido usada para financiar o filme inspirado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Das despesas questionadas pela Prefeitura, R$ 13,4 milhões foram destacados para análise mais rigorosa. Desse montante, a administração já glosou 906 mil reais, relativos a notas fiscais canceladas, e indicou que o valor deve ser restituído caso a ONG não apresente justificativas consideradas adequadas.
Prefeitura fala em fiscalização rigorosa
Karina da Gama confirmou ter recebido o ofício na segunda-feira, 6 de julho, e afirmou que o Instituto Conhecer Brasil tem 30 dias, contados a partir da notificação, para responder às demandas da gestão municipal.
Em nota, a Prefeitura declarou que o documento enviado à ONG demonstra, nas palavras da administração, um trabalho sério e rigoroso de fiscalização ativa da parceria. A gestão afirma que acompanha de perto a execução do convênio de inclusão digital.
Karina, que também é dona da produtora Go Up Entertainment, responsável por Dark Horse, disse que a entidade irá cumprir as exigências da Prefeitura. Segundo ela, a equipe está mobilizada para reunir provas e informações adicionais sobre os serviços contratados.
Estamos em conjunto com os fornecedores e parceiros, reunindo toda a documentação e as informações complementares solicitadas, afirmou a presidente do Instituto Conhecer Brasil. Ela acrescentou que pretende atender à diligência da gestão com a máxima brevidade e transparência.
Pagamentos levantam suspeita de conflito de interesses
Entre as 41 despesas consideradas suspeitas pela Prefeitura de São Paulo, quatro se referem à empresa Complexsys e somam 2,2 milhões de reais. Os pagamentos se tornaram alvo adicional de questionamento por causa da relação entre a companhia e a própria ONG.
Como revelou o jornal O Estado de S. Paulo em reportagem de dezembro de 2024, o Instituto Conhecer Brasil fez dois repasses à Complexsys naquele mês, totalizando 1,3 milhão de reais. Na época, um dos sócios da empresa também ocupava cargo de direção na ONG.
A contratação, por organizações da sociedade civil, de empresas pertencentes a seus dirigentes é vedada pela legislação, por caracterizar potencial conflito de interesses. Em março de 2025, o sócio da Complexsys deixou a diretoria do Instituto, mas houve novos pagamentos à empresa nos meses seguintes, de acordo com a apuração.
Com informações do Estadão Conteúdo.
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