Band Jornalismo

Quem é Sanae Takaichi, conservadora e primeira mulher eleita premiê do Japão

Membro do Partido Liberal Democrata (LDP), política cita Margaret Thatcher como inspiração

Da redação
DA REDAÇÃO

20/10/2025 • 15:07 • Atualizado em 20/10/2025 • 15:07

Sanae Takaichi é a primeira mulher premiê do Japão

Sanae Takaichi é a primeira mulher premiê do Japão

Yuichi Yamazaki/Pool via REUTERS/File Photo/File Photo

O Japão fez história nesta terça-feira (21) e elegeu Sanae Takaichi como nova primeira-ministra. Com isso, pela primeira vez na história, o país asiático será liderado por uma mulher. Integrante da ala mais à direita do Partido Liberal Democrata (LDP), ela era uma aliada próxima do ex-premiê Shinzo Abe, morto em 2022, e já foi descrita como uma “ultraconservadora”.

Compartilhar

Nascida e criada na região de Nara, Takaichi chegou a ser aprovada em universidades de Tokyo, mas pelo fato de ser mulher, seus pais se recusaram a custear os estudo. Por isso, ela decidiu estudar na Universidade de Kobe.

Fã de heavy metal e motociclista, ela começou sua trajetória política em 1987 fora do Japão, quando viajou aos Estados Unidos para trabalhar como auxiliar da congressista Pat Schroeder, do partido Democrata. Mais tarde, ela retornou ao Japão e se tornou âncora da TV Asahi.

Takaichi se elegeu para a Dieta Nacional, o parlamento japonês, pela primeira vez em 1993. Ela representou o distrito de Nara na Casa dos Representantes até 2003.

Após um período fora da política, se candidatou novamente para a Casa dos Representantes em 2005, onde permanece até hoje.

Neste período, se aproximou do primeiro-ministro Shinzo Abe e ocupou diversos cargos em seus ministérios. Entre eles, ela foi ministra da Segurança Alimentar, da Tecnologia e Inovação e ministra de Assuntos Internos e Comunicações, o cargo que ocupou pelo período mais longo.

Em 2016, enquanto ainda ocupava este posto, ela atraiu críticas ao dizer que meios de comunicação que tivesse uma programação “enviesada” poderiam ser suspensos pelo governo, o que foi visto como uma forma de tentar controlar ou inibir a independência da imprensa.

Em 2021, ela concorreu pela primeira vez à liderança do LDP, após a desistência do primeiro-ministro Yoshihide Suga de se candidatar à reeleição.

Ela ficou em terceiro lugar e foi nomeada ministra da Segurança Econômica pelo primeiro-ministro Fumio Kishida, que venceu a disputa.

Em 2024, ela tentou novamente e ficou em 2º lugar. O pleito terminou com a vitória de Shigeru Ishiba, que a ofereceu um cargo, que ela recusou.

Agora, em 2025, ela conquistou a liderança do partido e conseguiu formar uma coalizão para governar o Japão.

Sua eleição como premiê é um marco para as mulheres no Japão, onde há 73 mulheres na Casa dos Representantes, cerca de 16% do total de 465 membros.

Visões políticas

Sanae Takaichi cita a ex-premiê britânica Margaret Thatcher como e uma de suas grandes inspirações e tem se descrito como uma conservadora “moderada”. Entretanto, sua trajetória foi marcada por posições que levaram a ser descrita como alguém bem mais à direita de seu partido.

Ela se declarou como contrário ao casamento de pessoas do mesmo sexo, apesar de pregar que não se deve haver “preconceito contra a orientação sexual” de uma pessoa.

Ela também é opositora de uma mudança na lei japonesa que obriga casais casados a adotarem o mesmo sobrenome e também a alterações na legislação que impede mulheres a assumirem o trono japonês – o Japão é uma monarquia constitucional nos moldes do Reino Unido, no qual o monarca possui um cargo mais simbólico e o primeiro-ministro é quem de fato governa a nação.

A política externa também pode se mostrar um ponto sensível para a nova primeira-ministra do Japão.

Sanae Takaichi é bastante crítica da Chin a, sendo considerada uma “falcão” de política externa no que diz questão ao país vizinh.

Em outro ponto sensível, Takaichi faz visitas constantes ao polêmico santuário xintoísta Yasukini, que faz homenagem a diversos soldados, incluindo a alguns reconhecidos como criminosos de guerra.

A nova premiê se recusou a dizer se faria visitas ao local caso chegasse ao cargo mais alto da política japonesa, mas essa possibilidade certamente geraria tensões com a própria China e também com ambas as Coreias, acirrando os humores na região.

Tópicos relacionados