
Sanae Takaichi
Eugene Hoshiko/Pool via REUTERS
A conservadora Sanae Takaichi, de 64 anos, que quebrou uma barreira histórica ao ser eleita nesta terça-feira (21) a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do Japão, já foi baterista amadora de heavy metal durante a juventude e tem como inspiração Margaret Thatcher — ex-primeira-ministra do Reino Unido conhecida como “Dama de Ferro” devido seu estilo de liderança.
A eleição de Takaichi foi confirmada após uma votação contundente no parlamento. Ela obteve 237 votos na Câmara Baixa, superando com folga a maioria necessária na câmara de 465 assentos, e garantiu 125 votos na Câmara Alta, um a mais que o mínimo para uma maioria simples. A vitória marca um ponto de virada em um cenário político historicamente dominado por homens e representa o ápice de uma ascensão improvável.
De Iron Maiden a Margaret Thatcher
A nova líder japonesa foge de rótulos comuns. Fã de motocicletas Kawasaki, Takaichi é também uma entusiasta do heavy metal, tendo sido baterista em uma banda na faculdade. Ela idolatra bandas lendárias como Iron Maiden e Deep Purple e, segundo a imprensa japonesa, tocava com tanta intensidade que mantinha quatro pares de baquetas de reserva para o caso de alguma quebrar durante as apresentações.
Essa paixão musical contrasta com sua principal inspiração política: a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher. Takaichi, que se encontrou com a "Dama de Ferro" em 2013, frequentemente elogia suas "fortes convicções e calor feminino" e adota ternos azuis em homenagem a ela.
Apesar da admiração, sua abordagem fiscal difere da aspereza de Thatcher. Takaichi é uma forte defensora do "Abenomics", as políticas de altos gastos públicos do falecido ex-premiê Shinzo Abe, de quem era uma protegida. Ela defende o aumento dos gastos do governo, cortes de impostos e maior controle sobre o Banco do Japão, uma posição que gera preocupação em investidores devido à crescente dívida do país.
Trajetória política
Vinda de uma família humilde, um histórico incomum no LDP, Takaichi não pertence a uma dinastia política. Seu pai trabalhava em uma empresa de autopeças e sua mãe era policial.
Nascida na região de Nara, ela enfrentou barreiras desde cedo. Seus pais se recusaram a custear seus estudos em universidades de elite em Tóquio por ser mulher, acreditando que ela não precisava de tal formação, e preferiram economizar para seu irmão mais novo. Por isso, ela se formou em administração de empresas pela Universidade de Kobe.
Sua carreira política começou nos Estados Unidos no final dos anos 1980, onde trabalhou como estagiária da congressista democrata e feminista Patricia Schroeder.
Ao retornar ao Japão, atuou como autora e apresentadora de TV, ganhando reputação como uma debatedora combativa. Foi eleita para o parlamento pela primeira vez em 1993, como independente, com o apoio financeiro de seu pai, que usou suas economias de aposentadoria na campanha.
Dentro da Dieta (o parlamento japonês), ela logo sentiu o isolamento de ser uma mulher na política, relatando que seus colegas homens eram por vezes desdenhosos e conduziam negócios em locais como saunas, onde a presença de legisladoras não era viável.
Foi nesse período que ela forjou uma aliança duradoura com Shinzo Abe, que a nomeou para seu gabinete quando se tornou primeiro-ministro em 2006, e novamente em 2012. Takaichi se tornou uma defensora ferrenha de suas políticas nacionalistas, incluindo a revisão da constituição pacifista do Japão.
Posições controversas
Apesar de se autodenominar uma conservadora "moderada", Takaichi é frequentemente descrita como uma política de "ultradireita". Ela se opõe ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e à permissão para que casais adotem sobrenomes diferentes. Também é contra mudanças na legislação que impeçam mulheres de assumir o trono imperial japonês.
Sua postura em política externa é considerada "hawkish" (agressiva), especialmente em relação à China.
Takaichi é uma visitante frequente do polêmico santuário xintoísta Yasukuni, que homenageia soldados japoneses, incluindo criminosos de guerra condenados, um ato que gera tensões com a China e as Coreias.
Em 2016, enquanto ministra de Assuntos Internos, ela gerou críticas ao afirmar que meios de comunicação com programação "enviesada" poderiam ter suas operações suspensas, o que foi visto como uma ameaça à liberdade de imprensa.
Recentemente, durante a campanha, foi criticada por um comentário considerado xenofóbico, ao acusar turistas de chutarem os cervos do Parque de Nara.
Agora, como primeira-ministra, Sanae Takaichi enfrenta o desafio de liderar o Japão em meio a incertezas econômicas e tensões geopolíticas, enquanto representa um marco histórico para as mulheres no país, onde elas ocupam apenas 16% dos 465 assentos na Casa dos Representantes.
Sua mensagem após a vitória foi clara: "A batalha começa agora".
*O texto acima usou Inteligência Artificial, mas foi editado por um(a) jornalista.
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