
Dick Cheney
REUTERS/Larry Downing/File Photo
Dick Cheney, considerado o vice-presidente mais poderoso da história dos Estados Unidos, morreu na noite de segunda-feira, 3, aos 84 anos. A família informou, em comunicado, que ele faleceu em decorrência de complicações de pneumonia e problemas cardíacos e vasculares.
Nascido em Lincoln, Nebraska, Cheney mudou-se ainda adolescente com a família para Casper, em Wyoming, um dos Estados mais conservadores do país. Em 1968, iniciou sua carreira política em Washington, como assessor de um congressista republicano.
Antes de se tornar vice-presidente no governo de George W. Bush (2001–2009), Cheney ocupou cargos de destaque, como chefe de gabinete da Casa Branca e secretário de Defesa durante o governo de George H. W. Bush, quando liderou o Pentágono na Guerra do Golfo (1990–1991).
Arquiteto da “guerra ao terror”
Durante os anos Bush, Cheney foi descrito como o verdadeiro “operador” da Casa Branca. Sua influência sobre decisões cruciais de política externa e segurança nacional o transformou em um dos políticos mais poderosos — e controversos — dos EUA.
Após os ataques de 11 de setembro de 2001, ele se tornou uma das vozes mais firmes a favor da Guerra ao Terror e foi um dos principais defensores da invasão do Iraque em 2003. Cheney alegava que o ditador Saddam Hussein mantinha ligações com a Al-Qaeda e possuía armas de destruição em massa — alegações que mais tarde não se confirmaram.
A guerra, que deveria durar semanas, se transformou em uma ocupação de quase nove anos, deixando 4,5 mil soldados americanos mortos e custando mais de US$ 2 trilhões, segundo estimativas.
Apesar das críticas e da ausência de provas sobre as justificativas da invasão, seus apoiadores destacam que Cheney manteve firmeza e convicção em meio à instabilidade política e à queda de popularidade do governo Bush.
Saúde frágil e oposição a Trump
Cheney enfrentou problemas cardíacos ao longo de toda a vida — sofreu cinco infartos entre 1978 e 2010, utilizava um marca-passo desde 2001 e, em 2012, passou por um transplante de coração.
Mesmo após se aposentar, manteve-se ativo no debate político. Tornou-se crítico de Donald Trump, especialmente após sua filha, Liz Cheney, se destacar como uma das principais opositoras do ex-presidente dentro do Partido Republicano e integrar o comitê que investigou os ataques ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021.
Em um vídeo gravado em apoio à filha, Cheney afirmou: “Em 246 anos de história nacional, nunca houve um indivíduo que representasse uma ameaça maior à nossa república do que Donald Trump.”
No ano passado, em um gesto simbólico, Cheney declarou que votaria na democrata Kamala Harris em uma eventual disputa contra Trump.
*Com informações das agências internacionais e Estadão Conteúdo.
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