O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou nesta segunda-feira (16) que o Reino Unido não pretende se envolver no "conflito mais amplo" no Oriente Médio, mas admitiu que trabalha com aliados para manter o Estreito de Ormuz aberto, em meio à escalada de tensões na região.
Reino Unido busca evitar escalada regional
Em coletiva de imprensa em Downing Street, Starmer disse que pretende atuar em conjunto com parceiros europeus na elaboração de um plano para reabrir o estreito, rota estratégica para o escoamento de petróleo. A iniciativa ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pedir aos aliados que enviem navios para reforçar a segurança no Golfo Pérsico.
Não seremos atraídos para a guerra mais ampla. Mas, em última análise, temos que abrir o Estreito de Ormuz. Isso não é uma tarefa simples
Segundo Starmer, ele e Trump discutiram por telefone, no domingo (15), opções para garantir a navegação na passagem marítima. O primeiro-ministro classificou a relação com o líder norte-americano como positiva. "É um bom relacionamento", afirmou. "Somos fortes aliados; temos sido por décadas, mas cabe a mim agir no que considero ser o melhor interesse da Grã-Bretanha".
O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao mar aberto e é uma das principais rotas de exportação de petróleo do mundo. Qualquer interrupção prolongada na área tende a pressionar os preços globais de energia e a aumentar o risco de confrontos militares.
Apoio à Ucrânia e preocupação com ganho russo
Na avaliação do premiê, o atual cenário no Golfo beneficia o presidente russo, Vladimir Putin, em razão da disparada no preço do petróleo. Starmer apontou ainda que a decisão de Trump de suspender sanções sobre o setor de energia russo contribui para esse quadro.
É vital que continuemos a focar em apoiar a Ucrânia. Não podemos permitir que a guerra no Golfo Pérsico se transforme em um ganho inesperado para Putin
Starmer reforçou que Londres continuará a defender apoio militar e financeiro a Kiev, mesmo enquanto dedica esforços diplomáticos à crise no Oriente Médio. Para o governo britânico, manter a unidade ocidental em torno da Ucrânia é essencial para conter a influência russa na Europa e além.
De acordo com o premiê, o Reino Unido atua em coordenação com parceiros europeus e com Washington para equilibrar a resposta à instabilidade no Golfo com a prioridade estratégica de longo prazo no leste europeu.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

