
Terremoto na Venezuela: buscas por sobreviventes continuam
REUTERS/Gaby Oraa
A situação na Venezuela torna-se desesperadora a cada hora que passa. Três dias após o devastador terremoto duplo, de 7,2 e 7,5 de magnitude, a esperança de encontrar sobreviventes sob os escombros diminui conforme o tempo limite das equipes de resgate se esgota. Para agravar o cenário de catástrofe, um terceiro tremor, de 4,7 graus, foi sentido na noite de sexta-feira, 26, espalhando ainda mais pânico entre a população.
Diante do caos e dos congestionamentos que travam os trabalhos de busca, as autoridades venezuelanas anunciaram a restrição de acesso a La Guaira, epicentro da destruição. Quem precisar entrar na região agora dependerá de autorização oficial, embora o governo não tenha detalhado os critérios para a permissão de trânsito.
Buscas por conta própria
Com a escassez de socorristas estatais em diversas áreas atingidas, muitos venezuelanos decidiram arriscar as próprias vidas, escavando escombros de prédios e casas com ferramentas improvisadas, como martelos e equipamentos elétricos. O saldo humano da tragédia é alarmante: pelo menos 920 mortos e mais de 51 mil desaparecidos — número que inclui pessoas incomunicáveis pela falta de sinal de celular.
"Cada pessoa salva é um milagre", afirmou Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela. "Não vamos esconder absolutamente nada sobre a dimensão desta tragédia."
Em La Guaira, o desespero é visível. Nazareth Jimenez, que aguarda notícias sobre irmãos, sobrinhos e amigos, suplicou por maquinário pesado. "Estamos pedindo ajuda ao governo e a países do mundo inteiro. Ainda há pessoas vivas lá dentro", desabafou.
Desafio político e crise humanitária
A catástrofe impõe um teste de fogo para a presidente em exercício, Delcy Rodríguez. O governo enfrenta não apenas o desafio logístico de organizar o resgate, mas também a desconfiança de parte da população, que questiona a legitimidade da gestão atual após a saída de Nicolás Maduro.
Enquanto a Organização Internacional para as Migrações estima que até 6,76 milhões de pessoas podem ser afetadas, relatos de saques a lojas de alimentos e farmácias ganham força em cidades como Maiquetia e Catia La Mar. A desorganização é tanta que, em diversos momentos, buzinas e o trânsito de motociclistas atrapalham as equipes de resgate, que precisam de silêncio absoluto para detectar sinais de vida sob as lajes de concreto.
Ajuda internacional
Na tentativa de reverter a situação, o governo venezuelano confirmou a presença de 861 voluntários vindos do México, Estados Unidos, El Salvador, Suíça e Colômbia. A presidente em exercício informou ter mantido contato com o presidente americano, Donald Trump, e com o secretário de Estado, Marco Rubio, que se comprometeram a enviar mais equipamentos de suporte.
Apesar da mobilização internacional, para milhares de venezuelanos como Yuleidy Cadenas, de 28 anos, a ajuda chega em um momento de dor profunda. Após sobreviver ao desabamento de seu prédio, ela aguarda por notícias da mãe, do irmão e do filho. "Subi nos escombros e pedi que respondessem, e ninguém respondeu", relatou, em meio aos destroços que mudaram o destino do país.
Com informações da Agência Estado.
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