
Papa Leão XIV durante primeira missa
Vatican Media/Simone Risoluti/Reuters
O cardeal Robert Prevost, nomeado o novo Papa – Leão XIV –, deve ter um papado na mesma linha de seu antecessor, Francisco, segundo o professor de Relações Internacionais da FAAP e especialista em Vaticano Igor Alves. Para ele, se o presidente norte-americano Donald Trump soubesse que o religioso seria eleito, "não teria feito tanta pressão" por um líder dos Estados Unidos na Igreja Católica.
Leão XIV, ou Robert Prevost, nasceu em Chicago, tem 69 anos e foi eleito cardeal por Francisco em 2023. Ele é o primeiro papa dos Estados Unidos e o segundo das Américas.
"O papa Leão XIV não tem nada de conservador, inclusive muita gente falou: 'nossa, não é que os Estados Unidos conseguiram? O Donald Trump fez tanta pressão que conseguiu implantar um papa americano'. Só que, eu tenho certeza, se o Trump soubesse que este era o papa escolhido, talvez ele nem tivesse feito tanta pressão", avaliou Igor Alves em entrevista ao Band.com.br.
Ele é praticamente antagônico ao que Donald Trump deseja. Então, ele tem um caráter moderado progressista, vai seguir bastante a linha do papa Francisco, só que com algumas características próprias.
Na avaliação do professor de Relações Internacionais, Leão XIV não será tão carismático como foi Francisco, porém, no que se refere a abraçar a comunidade mais carente ou uma Igreja Católica mais acolhedora, "vai ser muito parecido".
Desafios de Leão XIV
Para o especialista em Vaticano, o primeiro grande desafio de Leão XIV é conseguir criar uma identidade própria "o mais rápido possível".
"Francisco é um papa que marcou a história da igreja por vários motivos, tanto pelo carisma quanto pela enorme quantidade de reformas que ele promoveu na Igreja. Então, acho que o primeiro grande desafio do Leão XIV é tentar criar uma identidade própria, assumir esse poço de papa, de fato, e ele tem muitas possibilidades de fazer isso com rapidez porque ele é uma figura sinodal, ou seja, ele convida a Igreja como um todo a caminhar unida. Tem um perfil de excelente administrador. Então, acredito que ele não vá ter tantas dificuldades nessa construção de uma própria identidade", declarou.
O professor de Relações Internacionais avaliou ainda que papa Francisco não tinha medo de dar opiniões sobre meio ambiente, refugiados e guerras, então, tem a expectativa de que Leão XIV também se posicione sobre esses assuntos.
Posicionamento sobre conflitos
Ao Band.com.br, o vaticanista reforçou que uma das primeiras coisas ditas por Leão XIV é que "devemos buscar a paz" e está se voltando para questões da paz desarmada.
"Ele vai ser, provavelmente, um defensor do desarmamento, da paz entre os povos. Sobre Gaza, sobre a Ucrânia, eu acho que ele vai ser uma voz constante na luta por uma uma paz progressiva", explicou.
Relação com Donald Trump
Embora tenha nascido nos Estados Unidos, o cardeal Robert Prevost foi missionário no Peru e tem cidadania peruana. Por ter convivido com sul-americanos, segundo o especialista em Vaticano, Leão XIV deve apoiar a causa dos imigrantes.
"Ele conviveu com latino-americanos, sabe das dores que essa parcela do mundo passa e naturalmente sabe dos preconceitos que existem em alguns lugares do mundo em relação a essas populações. Ele certamente vai ser um defensor da causa dos refugiados e imigrantes", disse.
Em relação ao presidente dos Estados Unidos, Igor Alves acredita que o novo papa deve conseguir equilibrar os discursos conservadores de Donald Trump.
"Ele é uma voz que vai pesar o outro lado da gangorra, da balança, criando um equilíbrio, uma ponderação e antagonismo ao que Trump prega, faz e fala. Acho que vai ser importante um papa com esse perfil para uma tentativa de pacificação de um mundo que, atualmente, é instável", finalizou.
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