Band Jornalismo

Secretário do RS é alvo de operação da PF contra desvio de verbas durante enchente

Investigação apura crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro oriundos do desvio de recursos públicos federais do FNAS repassados a cidade de Lajeado

Da redação com Estadão Conteúdo
DA REDAÇÃO COM ESTADÃO CONTEÚDO

11/11/2025 • 10:30 • Atualizado em 11/11/2025 • 10:39

Polícia Federal cumpre Operação VAR

Polícia Federal cumpre Operação VAR

Reprodução/Polícia Federal

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (11), a operação Lamaçal, com objetivo de apurar os crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro oriundos do desvio de recursos públicos federais do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) repassados à cidade de Lajeado, no Rio Grande do Sul, em razão das enchentes ocorridas em maio de 2024.

Compartilhar

Um dos alvos da operação é o ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo, que atuou na gestão municipal entre 2017 e 2023 e é atualmente o secretário de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano do Rio Grande do Sul.

Foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, além do sequestro de dez veículos e do bloqueio de ativos de quase R$ 4,5 milhões. As buscas aconteceram nos municípios de Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Guaporé, Carlos Barbosa, São Leopoldo, Novo Hamburgo e Porto Alegre.

“No decorrer do inquérito policial, foi possível verificar irregularidades em procedimento licitatório realizado pela prefeitura de Lajeado para contratação de empresa, tendo como objeto a prestação de serviços terceirizados de psicólogo, assistente social, educador social, auxiliar administrativo e motorista”, informou a PF em nota.

A dispensa da licitação foi realizada com a justificativa do estado de calamidade pública declarado pelo município em 2024. “Há indícios de que a contratação direta da empresa investigada tenha ocorrido sem observância da proposta mais vantajosa e os valores contratados estariam acima do valor de mercado”.

O valor total dos dois contratos, inicialmente levantados no curso do inquérito policial, somam aproximadamente R$ 120 milhões.

Os investigados poderão responder pelos crimes de desvio de verbas públicas, crimes em licitações e contratos administrativos, bem como por lavagem de capitais.

O que diz o governo do RS

O governo do Estado do RS afirma que a investigação não tem qualquer relação com a atuação de Marcelo Caumo enquanto secretário de Estado.

À época dos fatos relatados, Marcelo Caumo atuava na administração municipal na cidade de Lajeado. Ainda que a apuração seja sobre contratos firmados antes do ingresso dele no quadro do Executivo estadual, o governo reforça sua absoluta disposição para auxiliar a Polícia Federal na investigação dentro do que for possível.

O governo do Estado afirma que aguardará os desdobramentos da apuração, resguardando o direito de defesa e contraditório dos envolvidos.