
Eliza Samudio
Eliza Samudio (Foto: Arquivo/TV Band)
O passaporte de Eliza Samudio foi encontrado em Portugal 15 anos após o crime, mas o registro reacende uma das maiores dúvidas da cronologia policial brasileira: onde está o corpo de Eliza Samudio?
O crime, ocorrido em junho de 2010, resultou na condenação de Bruno a mais de 22 anos de prisão. No entanto, mesmo após mais de uma década, as autoridades nunca localizaram qualquer vestígio dos restos mortais da vítima, o que torna o desfecho jurídico do caso um marco no Direito Penal do país.
A tese do desaparecimento do corpo
De acordo com as investigações da Polícia Civil de Minas Gerais na época, Eliza foi levada do Rio de Janeiro para um sítio em Esmeraldas (MG). De lá, ela teria sido entregue ao ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola.
Segundo a denúncia do Ministério Público, Bola teria asfixiado a modelo. O passo seguinte, que impede até hoje o sepultamento de Eliza, teria sido o desaparecimento do cadáver. Durante o processo, surgiram versões de que o corpo teria sido esquartejado e concretado, ou mesmo entregue a cães para que os vestígios fossem eliminados.
A falta de uma prova material direta (o corpo) obrigou a Justiça a trabalhar com o que se chama de "corpo de delito indireto". Isso significa que as provas testemunhais, as perícias de sangue no carro de Bruno e o monitoramento de sinais de celular foram suficientes para confirmar a materialidade do homicídio.
O silêncio dos envolvidos
A mãe de Eliza Samudio, Sônia Fátima Moura, mantém a esperança de um dia poder enterrar a filha. Em declarações ao Brasil Urgente, Sônia expressou que a falta do corpo é uma forma de perpetuação da dor e uma injustiça contínua.
"Eu tenho orado muito para amenizar a dor do meu coração. É revoltante, você fica com aquela sensação de injustiça, uma justiça feita pelas metades", afirmou Sônia. Para ela, o fato de Bruno estar em liberdade condicional enquanto o segredo sobre o corpo é mantido é inaceitável.
Até hoje, nenhum dos condenados — incluindo Bruno, Macarrão e Bola — revelou o paradeiro exato de Eliza. Cada um apresentou versões conflitantes ou manteve o silêncio sobre a ocultação do cadáver.
Condenação e regime atual
Em 2013, o júri popular entendeu que Eliza foi morta em 10 de junho de 2010. Bruno foi condenado por ser o mandante e articulador do sequestro. Na sentença, o juiz considerou a ocultação de cadáver como um crime conexo, aumentando a pena total.
Atualmente, Bruno Fernandes vive em Rio das Ostras e deve se apresentar à Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) a cada três meses. Ele não possui restrição de horários para circular, desde que cumpra as obrigações da condicional. O filho de Eliza, Bruninho, hoje com 15 anos, vive sob os cuidados da avó materna.
Entenda o caso Eliza Samudio
O relacionamento entre Eliza e Bruno começou em 2009, quando ele era goleiro titular do Flamengo. Da relação extraconjugal, a modelo engravidou, mas o jogador não reconhecia a paternidade.
Um ano antes de seu desaparecimento, Eliza registrou queixa contra o atleta por agressão e ameaças. Em arquivos de 2009, a modelo relatou que Bruno a obrigou a tomar medicamentos abortivos sob ameaça de morte.
Conforme a denúncia do Ministério Público, Eliza e o filho foram levados à força para um sítio do goleiro em Esmeraldas, Minas Gerais. No local, ela foi mantida em cárcere privado antes de ser entregue ao ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola.
Condenações e fim da carreira esportiva
O julgamento do caso ocorreu em 2013, apontando que a morte da modelo aconteceu em 10 de junho de 2010. Além de Bruno, foram condenados Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e Fernanda de Castro. O ex-policial Bola também recebeu pena de 22 anos de prisão.
Bruno Fernandes ainda tentou retomar a carreira profissional após as primeiras progressões de regime. O atleta assinou com clubes como Montes Claros, Boa Esporte e Rio Branco. O goleiro encerrou oficialmente a carreira em 2021, quando atuava pelo Atlético Carioca.
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