A saída de Nicolás Maduro de Caracas e o início de seu processo judicial em Manhattan marcam o início de uma nova — e incerta — era para a Venezuela. Uma semana após a intervenção americana, o cientista político e analista Fernando Schüler avalia que o país vive um momento de "sinais contraditórios", onde a esperança da redemocratização esbarra na herança autoritária do regime chavista.
Para Schuler, o sucesso da reconstrução venezuelana não depende apenas de força militar, mas da capacidade de estabelecer uma democracia constitucional sólida que convença o capital estrangeiro a retornar.
Segundo o analista, o cenário nas ruas ainda é de tensão. Por um lado, Schuler aponta a atuação perigosa dos "coletivos" — grupos paramilitares que continuam a atemorizar a população e a reprimir qualquer apoio à intervenção americana. Por outro, surge um sopro de otimismo com a liberação de presos políticos.
"Embora o número de libertados ainda seja pequeno — cerca de 1% a 2% dos 800 detidos — é uma sinalização na direção correta", pontua Schüler .
O Plano de Trump: Estabilidade antes da Democracia
A análise de Schüler foca na estratégia pragmática apresentada pelo governo dos Estados Unidos, que se divide em três etapas fundamentais:
- Pragmatismo Político: A necessidade de estabilizar o regime pode forçar alianças temporárias com figuras do próprio chavismo, como Delcy Rodríguez, para garantir a governabilidade.
- Recuperação do Petróleo: Atrair investimentos para a sucateada indústria petrolífera venezuelana.
- Redemocratização Formal: Realização de eleições e o retorno de líderes como María Corina Machado, que deve se encontrar com Donald Trump na próxima semana.
Petróleo e Segurança Jurídica
O ponto central da análise de Schüler reside na economia. Após a reunião entre Trump e executivos de grandes petroleiras americanas na Casa Branca, a conclusão foi unânime: o setor privado não fará investimentos de longo prazo em um terreno instável.
"Sem uma sinalização clara na direção de regras, estabilidade jurídica e segurança institucional, não haverá investimento", afirma Schüler. Para ele, o petróleo é a chave da recuperação venezuelana, mas esse motor só funcionará se as empresas tiverem a garantia de que os contratos serão respeitados por uma democracia com regras claras.
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