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Sem segurança jurídica, não haverá investimento na Venezuela, diz Schüler

Em análise sobre a transição no país vizinho, Schuler destaca o paradoxo entre a repressão paramilitar e o plano de reconstrução econômica liderado pelos EUA

Por Redação
REDAÇÃO

10/01/2026 • 00:52 • Atualizado em 10/01/2026 • 00:52

Fernando Schüler

A saída de Nicolás Maduro de Caracas e o início de seu processo judicial em Manhattan marcam o início de uma nova — e incerta — era para a Venezuela. Uma semana após a intervenção americana, o cientista político e analista Fernando Schüler avalia que o país vive um momento de "sinais contraditórios", onde a esperança da redemocratização esbarra na herança autoritária do regime chavista.

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Para Schuler, o sucesso da reconstrução venezuelana não depende apenas de força militar, mas da capacidade de estabelecer uma democracia constitucional sólida que convença o capital estrangeiro a retornar.

Segundo o analista, o cenário nas ruas ainda é de tensão. Por um lado, Schuler aponta a atuação perigosa dos "coletivos" — grupos paramilitares que continuam a atemorizar a população e a reprimir qualquer apoio à intervenção americana. Por outro, surge um sopro de otimismo com a liberação de presos políticos.

"Embora o número de libertados ainda seja pequeno — cerca de 1% a 2% dos 800 detidos — é uma sinalização na direção correta", pontua Schüler .

O Plano de Trump: Estabilidade antes da Democracia

A análise de Schüler foca na estratégia pragmática apresentada pelo governo dos Estados Unidos, que se divide em três etapas fundamentais:

  1. Pragmatismo Político: A necessidade de estabilizar o regime pode forçar alianças temporárias com figuras do próprio chavismo, como Delcy Rodríguez, para garantir a governabilidade.
  2. Recuperação do Petróleo: Atrair investimentos para a sucateada indústria petrolífera venezuelana.
  3. Redemocratização Formal: Realização de eleições e o retorno de líderes como María Corina Machado, que deve se encontrar com Donald Trump na próxima semana.

Petróleo e Segurança Jurídica

O ponto central da análise de Schüler reside na economia. Após a reunião entre Trump e executivos de grandes petroleiras americanas na Casa Branca, a conclusão foi unânime: o setor privado não fará investimentos de longo prazo em um terreno instável.

"Sem uma sinalização clara na direção de regras, estabilidade jurídica e segurança institucional, não haverá investimento", afirma Schüler. Para ele, o petróleo é a chave da recuperação venezuelana, mas esse motor só funcionará se as empresas tiverem a garantia de que os contratos serão respeitados por uma democracia com regras claras.

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