Band Jornalismo

Sonia Blota sobre Brigitte: ‘Usou fama para dar voz àqueles que não tinham’

Jornalista da Band pontuou que Brigitte Bardot viveu como quis e pagou o preço daquilo que falou, mas mudou o cinema, a moda, comportamento e a forma que o mundo enxergava a mulher

Da redação
DA REDAÇÃO

28/12/2025 • 10:06 • Atualizado em 28/12/2025 • 10:06

Brigitte Bardot

Brigitte Bardot

CGW/CRB/File Photo/Reuters

A ícone do cinema francês Brigitte Bardot morreu aos 91 anos, informou neste domingo a fundação que leva o nome da artista. Ao comentar sobre a vida e carreira da atriz, a jornalista Sonia Blota destacou que a francesa “usou a fama para dar voz àqueles que não tinham voz”.

Compartilhar

No comunicado, a Fundação Brigitte Bardot não informou a causa, data ou o local da morte da artista.

“Quando ela teve esse momento (de encerrar a carreira de atriz para se dedicar a causa animal), choveu propostas para que ela não fizesse isso, mas ela fez e continuou no auge”, disse Sonia Blota.

“Talvez seja exatamente isso que faz de Brigitte Bardot uma figura tão marcante. Viveu como quis, pagou o preço daquilo que falou, mas mudou o cinema, a moda, o comportamento e a forma que o mundo enxergava a mulher. Depois, usou a sua fama, ou seja, o auge no mundo inteiro, para dar voz àqueles que não tinham voz: os animais”, acrescentou a jornalista.

À BandNews TV, Sonia Blota descreveu a atriz em três palavras: beleza, liberdade e ousadia.

Biografia

Brigitte Bardot nasceu em 28 de setembro de 1934 em Paris, na França. Ela se formou em balé clássico pelo Conservatório de Música e Dança da capital francesa antes de iniciar sua trajetória como atriz.

Aos 15 anos, começou a fazer trabalhos como modelo. Ela foi contratada pela revista francesa Elle para ser modelo da coleção juvenil. A capa da revista chamou a atenção de cineastas, que a convidaram para um teste para um filme. Bardot foi escolhida para o papel, porém, o longa não foi filmado.

Em 1952, Brigitte Bardot estreou no cinema com o filme, mas só ganhou destaque mundial com seu papel em E Deus Criou a Mulher (1956), dirigido pelo seu então marido Roger Vadim.

O filme que abordou sexualidade transformou a artista em um fenômeno. No entanto, o longa sofreu censuras em alguns países. Nos Estados Unidos, o filme foi considerado explicito demais para o cinema da época.

Nos anos seguintes, ela se consolidou como uma femme fatale. Apareceu em mais de 40 filmes, incluindo A Verdade (1960), de Henri-Georges Clouzot, O Desprezo (1963), de Jean-Luc Godard, e Viva Maria! (1965), de Louis Malle.

Bardot encerrou a carreira de atriz em 1973, mas permaneceu uma estrela por toda a vida.

O foco da mídia na vida privada de Bardot mudou um pouco à medida que ela passou a se dedicar cada vez ao ativismo. A partir do início da década de 1960, ela usou sua fama global para defender mais direitos e proteção dos animais, algo que se tornaria a causa de sua vida.

A passagem de Brigitte Bardot pelo Brasil

Quando desembarcou no Rio de Janeiro, causou um verdadeiro frenesi. Atraiu a imprensa nacional e internacional, uma vez que corria um boato de que iria anunciar casamento com Zagury. Na única entrevista coletiva que concedeu, Bardot declarou que estava na cidade para descansar e que não haveria casamento algum. Depois disso, não saiu mais do apartamento onde estava hospedada.

Na ocasião de sua visita ao país, Búzios era um pequeno vilarejo de pescadores, de difícil acesso.

Como era seu desejo, ela passava despercebida pelos locais entre os seus passeios à beira-mar, e conseguia ter a paz que tanto procurava, embora não ficasse totalmente livre do assédio da imprensa.

Mas, depois disso, Búzios saiu do anonimato e virou um ponto turístico internacional, semelhante ao que ocorreu com Saint-Tropez, no sul da França, onde ela voltou a morar após anunciar sua aposentadoria, em 1973.

Sua segunda passagem por Búzios foi de dezembro de 1964 a janeiro de 1965, e mais curta. A imprensa se dirigiu ao local e tornou sua estadia desagradável. Brigitte foi embora após a virada do ano e nunca mais voltou. Ela chegou a ganhar o título de cidadã honorária, mas nunca buscou.

Como homenagem, em 1999 foi inaugurada a Orla Bardot, onde foi colocada uma escultura em bronze da atriz. A obra foi feita pela escultora Christina Motta, e costuma ser um point entre os turistas.

Com informações da Deutsche Welle e Estadão Conteúdo