
Gilmar Mendes, ministro do STF
Rosinei Coutinho/STF
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (16) a prisão preventiva de Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), e do advogado Daniel Lopes Monteiro. A medida integra uma nova etapa da Operação Compliance Zero.
A decisão atende a um pedido da Polícia Federal, com manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), apresentado na petição sob relatoria do ministro.
Investigação
Costa é suspeito de não seguir práticas de governança em negócios com o banco Master. A quarta fase da operação investiga um esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos.
Os agentes da PF cumpriram dois mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, no Distrito Federal e em São Paulo.
Estão sendo investigados os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa.
Em novembro, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, Costa foi afastado do cargo de presidente do BRB. Em janeiro, o ex-presidente da instituição prestou depoimento e revelou detalhes sobre o problema de liquidez do banco Master.
Questionado se o travamento dos repasses do Master ocorria apenas nas carteiras de renda ou em todas as modalidades de crédito, o ex-presidente do BRB foi direto: "De todas".
Essa informação foi considerada crucial para os investigadores da Polícia Federal, pois indica que a incapacidade de pagamento do Banco Master era generalizada.
Para a fiscalização do Banco Central, entretanto, o fato de o repasse de "todas as carteiras" ter sido afetado reforça a tese de que os ativos vendidos ao banco estatal — muitos deles classificados como "créditos podres" ou sem lastro — já não possuíam capacidade de gerar a liquidez prometida.
A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que a falta de liquidez relatada por Paulo Henrique Costa seja o resultado direto de uma fraude estimada em R$ 12 bilhões.
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