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Quando o assunto é musculação, o calçado faz mais diferença do que muita gente imagina. Apesar de populares, os tênis de corrida — com solado alto e amortecido — podem atrapalhar o desempenho e até aumentar o risco de lesões em exercícios de força, como agachamento, levantamento terra e supino.
Segundo Lucas Florêncio, especialista técnico educacional da Smart Fit, a estabilidade é essencial para esse tipo de treino. “O tênis de sola reta permite uma melhor transferência de força do corpo para o solo, sem dispersão de energia em amortecimentos excessivos. Isso ajuda a manter o alinhamento postural e a base firme para a execução dos movimentos”, explica ao Band.com.br.
O professor de Educação Física da Bodytech, Daniel Rossas, compara:
Usar um tênis de corrida na musculação é como construir uma casa sobre um colchão. A espuma macia cria instabilidade, o que prejudica a técnica, reduz a performance e aumenta as chances de lesões.
Riscos dos tênis de corrida na musculação
Os especialistas apontam que o solado alto e macio pode gerar:
- Desalinhamento articular: tornozelos, joelhos e quadris perdem a estabilidade;
- Entorses: risco maior em exercícios unilaterais ou dinâmicos;
- Compensações posturais: o corpo se ajusta de forma incorreta, sobrecarregando articulações;
- Perda de força: parte da energia é “roubada” pelo amortecimento da sola.
All Star e Vans: soluções alternativas
Apesar de não terem sido criados para academia, tênis casuais como das marcas All Star e Vans ganharam espaço entre praticantes de treino de força. A explicação é simples: a sola reta e firme favorece a estabilidade.
No entanto, os profissionais reforçam os cuidados que os praticantes precisam ter durante a prática ao usarem tênis que não foram criados especificamente para treinos de força.
Florêncio pondera:
"Eles cumprem bem a função básica, mas não oferecem suporte anatômico ou absorção mínima de impacto”
Rossas orienta: “São uma opção melhor do que tênis de corrida, mas os modelos específicos para treino, como os de cross training, oferecem suporte lateral, durabilidade e flexibilidade em pontos estratégicos.”
Como escolher um bom tênis de musculação?
Os técnicos dão algumas dicas do que fazer no momento da compra:
- Solado baixo e reto – sem amortecedores exagerados;
- Boa aderência ao chão – para evitar escorregões;
- Calcanhar firme – que “trava” o pé no lugar;
- Estrutura rígida – deve dobrar apenas na ponta, nunca no meio;
- Espaço confortável no antepé – para melhor uso dos dedos durante os movimentos.
“Um teste simples é apertar o calcanhar. Se for muito macio, não dará suporte. O ideal é que seja firme”, sugere Rossas.
E quem faz musculação e corrida no mesmo dia?
Por menos prático que pareça, os profissionais explicam que o ideal a é levar dois pares para a academia.
“O tênis de corrida precisa de amortecimento elevado, enquanto o de musculação exige firmeza. São funções opostas”, explica Florêncio.
Entretanto, há soluções.
Para quem busca praticidade, os tênis de cross training podem ser uma alternativa. Eles oferecem estabilidade razoável para musculação e amortecimento moderado para corridas curtas, até 5 km. Mas, para treinos mais longos ou intensos, ainda é melhor ter um modelo específico para cada atividade.

Meias sapatilhas valem a pena?
Segundo Rossas, sim: “Elas oferecem máxima conexão com o solo e ótima estabilidade, principalmente em agachamentos e levantamento terra.”
A única ressalva é a segurança. Como não protegem os pés contra a queda de pesos, devem ser usadas em exercícios controlados e de baixo risco.

