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Trump ataca "comunistas" e diz que “identidade americana está sob ataque”

Presidente diz que identidade nacional sofre 'ataque renovado' e associa avanço da esquerda americana ao comunismo às vésperas do 4 de Julho

Da redação
DA REDAÇÃO

04/07/2026 • 10:26 • Atualizado em 04/07/2026 • 10:26

Na avaliação de Trump, comunismo representa "a maior ameaça" já enfrentada pelos EUA

Na avaliação de Trump, comunismo representa "a maior ameaça" já enfrentada pelos EUA

Reprodução: EFE/EPA/Yuri Gripas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (3) que a identidade americana está sob "ataque renovado" e voltou a associar adversários internos ao comunismo, em discurso no Monte Rushmore, na véspera das comemorações pelos 250 anos da independência do país.

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Quatro meses antes das eleições de meio de mandato, Trump usou o palco do monumento esculpido na montanha para reforçar sua base política e classificou opositores como comunistas "ateus" e "maléficos", ao mesmo tempo em que vinculou a defesa do chamado excepcionalismo americano à permanência dos republicanos no poder.

Ele declarou que os republicanos só podem perder as eleições legislativas se forem "tolos, estúpidos e imprudentes" e cobrou que o Congresso aprove a lei SAVE America, proposta que, segundo o presidente, endurece as regras de identificação de eleitores e torna mais difícil votar.

Ao longo do discurso, Trump voltou a se apresentar como defensor de uma visão tradicional da história do país e disse que há um "ressurgimento da ameaça do comunismo" dentro dos Estados Unidos, que, na avaliação dele, colocaria em risco a continuidade do modelo político e econômico americano.

Identidade nacional e excepcionalismo

Trump abriu a fala com referências ao excepcionalismo americano, conceito segundo o qual os Estados Unidos ocupam posição singular no mundo, e afirmou que "nos últimos anos houve uma tentativa inegável de mudar esse caráter excepcional, de arrancar de nós o espírito americano e de nos afastar da nossa história".

Para o presidente, grupos que ele qualifica como radicais e extremistas tentam reescrever o passado nacional, o que justificaria, na visão dele, uma reação política e institucional por parte de seus apoiadores e do Partido Republicano.

Ele também evitou o tom mais duro que costuma adotar ao falar sobre imigração, mas voltou a criticar supostos recém-chegados que, de acordo com Trump, defendem ideias incompatíveis com o "modo de vida" americano e com o que ele descreve como sucesso econômico e institucional do país.

Trump afirmou ainda que "eles não precisam ter nascido aqui, mas precisam amar o que construímos", ao defender que imigrantes adotem os valores que ele considera centrais para a identidade dos Estados Unidos.

Comunismo visto como maior ameaça

Em outro momento da fala, o republicano descreveu o comunismo como "ameaça mortal à liberdade americana" e o comparou a eventos marcantes da história do país, como as duas guerras mundiais, o ataque a Pearl Harbor e os atentados de 11 de setembro de 2001.

Na avaliação de Trump, essa ideologia representa "a maior ameaça" já enfrentada pelos Estados Unidos, acima de conflitos armados e ataques externos, argumento que ele tem repetido em discursos recentes à medida que setores mais à esquerda do Partido Democrata conquistam espaço em disputas internas.

O presidente vem associando o avanço dessa ala à possibilidade de que políticas econômicas e sociais defendidas pelos democratas aproximem o país de modelos que ele enquadra como comunistas, narrativa que tem orientado a estratégia republicana para as eleições legislativas de novembro.

Comemorações dos 250 anos sob disputa

Além do discurso em Monte Rushmore, Trump prepara um comício neste sábado (4), Dia da Independência, no National Mall, em Washington, com sobrevoo de aeronaves militares e espetáculo de fogos de artifício, em tentativa de vincular as celebrações dos 250 anos à sua gestão.

Há anos circulam especulações de que o presidente gostaria de ver seu rosto esculpido no Monte Rushmore, ao lado de George Washington, Thomas Jefferson, Abraham Lincoln e Theodore Roosevelt, e aliados republicanos já apresentaram projetos no Congresso com essa proposta simbólica.

Uma organização ligada a Trump, a Freedom 250, assumiu a coordenação de parte das festividades, o que reduziu o protagonismo do grupo bipartidário America250 e levou alguns participantes a se afastar dos principais eventos comemorativos.

País dividido e críticas ao governo

Os Estados Unidos chegam ao marco dos 250 anos em meio a forte polarização política, com o presidente sob críticas de democratas por sua política migratória, pelo aumento do patrimônio de sua família e por iniciativas que, segundo opositores, ampliam de forma excessiva os poderes da Presidência.

Trump também enfrenta índices de aprovação baixos, influenciados pela condução da guerra no Irã e pelo aumento do custo de vida, fatores que alimentam o descontentamento de parte do eleitorado às vésperas das eleições de meio de mandato.

Uma feira comemorativa em Washington recebeu críticas por espaços vazios, atribuídos em parte à intensa onda de calor que atinge o leste do país, enquanto a previsão meteorológica indica temperaturas elevadas durante todo o fim de semana.

O presidente ironizou a situação ao afirmar que, no 4 de Julho, a temperatura ficará em torno de 41 °C e que pretende fazer um discurso "muito longo" para mostrar, nas palavras dele, que pode enfrentar qualquer condição adversa.

Pessimismo captado em pesquisas

Às vésperas do aniversário de 250 anos da independência, pesquisas de opinião indicam pessimismo entre os americanos sobre o cumprimento dos princípios fundadores do país.

Levantamento da Universidade Quinnipiac, divulgado na quinta-feira, mostrou que 61% dos entrevistados consideram que os Estados Unidos não estão à altura dos ideais expressos na Declaração de Independência.

O resultado reflete a divisão política: a maioria dos republicanos avalia que o país cumpre esses princípios, enquanto a maioria dos democratas afirma que eles deixam de ser respeitados, cenário que evidencia o grau de polarização em torno da atuação do governo Trump.

Com informações do Estadão Conteúdo.