Deu hoje no New York Times: o Brasil tem 19% a 23% das reservas mundiais de terra rara. Estava pedindo ajuda dos EUA para sua mineração. Mas, então, veio o tarifaço de Donald Trump e sua intransigente defesa de Jair Bolsonaro, com consequências cada dia mais graves.
Pena: agora, uma empresa espanhola está mapeando os depósitos com 21 milhões de toneladas de terras raras, que contém os 17 elementos necessários para carros elétricos, mísseis e caças bombardeiros. Mais de 20 grupos internacionais de pesquisa estão fechando parcerias público-privadas com o Brasil para melhorar o processamento nacional, que hoje é feito pela China.
O NYT lembra os ciclos da borracha e do açúcar para contextualizar o boom atual de terras raras. O presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Raul Jungmann, conta que recebeu o encarregado de negócios da embaixada americana em Brasília, Gabriel Escobar, em julho: “Ele deixou o interesse dos Estados Unidos em minerais estratégicos críticos muito claro, muito explícito.”
O presidente executivo da mineradora australiana St. George, John Prineas, que desenvolve um projeto em terras raras em Araxá (MG), diz que “o Brasil tem potencial para desempenhar um importante papel”, e que “está contente em participar dele.” No ano passado, investidores estadunidenses e britânicos colocaram 150 milhões de dólares na primeira mina brasileira de terras raras, a Serra Verde, em Minaçu (Goiás), por iniciativa do governo americano.
A reportagem do New York Times, assinada por Ana Ionova, teria todos os ingredientes para fazer o presidente Trump voltar atrás em sua hostilidade com o Brasil, se ele a lesse. Mais importante para ele do que a figurinha rara Jair Bolsonaro são as terras raras estratégicas brasileiras.
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