
Trump durante encontro com o chanceler alemão Frederik Mrez na Casa Branca
Jonathan Ernst/Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta terça-feira (3) romper relações comerciais com a Espanha, após o governo espanhol recusar o uso de bases militares no país para operações americanas contra o Irã, em declaração feita na Casa Branca depois de reunião com o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz.
Ameaça a Madri após recusa sobre bases
Ao lado do líder alemão, Trump afirmou que parte da Europa tem colaborado com Washington, mas voltou suas críticas a Madri. Ele disse que “algumas das nações europeias têm sido úteis e têm ajudado, outras não'” e elogiou a Alemanha, que, segundo ele, “tem sido incrível”. Já a Espanha foi classificada como “terrível”. O presidente afirmou ainda ter dito ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, para “encerrar todos os acordos com a Espanha”.
Trump lembrou que, em janeiro, cobrou dos aliados da Otan que elevassem os gastos em defesa para 5% do PIB. Segundo ele, todos teriam atendido ao pedido, 'menos a Espanha'.
Na mesma fala, o presidente criticou a decisão espanhola de não autorizar o uso de suas instalações militares em ações contra o Irã. “Agora a Espanha disse que não podemos utilizar suas bases. E, na verdade, podemos voar para lá, ninguém vai dizer que não pode, mas eles foram muito pouco amigáveis”, afirmou. Em seguida, declarou que a Espanha “não tem nada” de que os Estados Unidos precisem, “a não ser um grande povo”, mas avaliou que o país “não tem uma grande liderança”.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, assentiu e afirmou que o presidente poderia impor tarifas e 'fazer o que quisesse' em resposta a Madri.
Críticas também ao Reino Unido
Trump estendeu as críticas ao Reino Unido e ao primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. “A propósito, também não estou feliz com o Reino Unido”, declarou, ao reclamar de dificuldades para usar uma base militar britânica após o início da ofensiva contra o Irã.
Segundo Trump, Londres levou “três, quatro dias” para autorizar pousos, o que obrigou os Estados Unidos a voar por mais tempo. “Ele não é o Winston Churchill”, disse o presidente sobre Starmer, acrescentando que os EUA não estão pedindo “tropas em solo, nada disso”.
Merz e Trump alinham discurso sobre Irã
O primeiro-ministro alemão afirmou que ele e Trump estão “na mesma página” em relação ao objetivo de encerrar o regime iraniano e disse que pretende tratar depois de comércio e da guerra na Ucrânia.
Merz declarou que Berlim está “ansiosa pelo dia seguinte” ao fim da guerra com o Irã e que deseja trabalhar com Washington em uma estratégia para quando o atual governo iraniano deixar o poder. “Estamos muito interessados em uma abordagem comum, em trabalho conjunto e no que podemos fazer juntos”, afirmou, destacando que a questão é “extremamente importante para a Europa e extremamente importante para Israel e para a sua segurança”.
Trump descreve impacto da ofensiva contra o Irã
Ao falar sobre a ofensiva, Trump disse que ordenou o ataque porque acreditava que o país atacaria primeiro. “Nós tínhamos ótimos negociadores, que fizeram isso a vida inteira. Com base no andamento das negociações, eu achei que eles iriam atacar primeiro. E eu não queria que isso acontecesse”, afirmou.
O presidente comemorou o resultado da operação ao dizer que “desmantelou” as capacidades militares iranianas. Segundo ele, o número de mísseis diminuiu e passou a atingir países até então neutros. Trump declarou ainda que o Irã 'não tem mais proteção aérea' nem “meio de detecção” e que o regime “vai sofrer bastante”, ao chamar as autoridades iranianas de “pessoas muito ruins”.
Números de mortos e incerteza sobre liderança iraniana
Trump estimou que o governo iraniano matou 35 mil manifestantes durante protestos contra o regime. Em janeiro, a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (Hran, na sigla em inglês), que atua no país, calculava cerca de 6 mil mortos, número contestado por Teerã, que falava em aproximadamente 3 mil vítimas.
Sobre o conflito atual, o presidente dos EUA afirmou que 49 pessoas morreram no primeiro dia de ataques e disse acreditar que houve novo bombardeio nesta terça-feira. Ele declarou que os Estados Unidos estão atingindo lançadores e estoques de mísseis e que a maioria das pessoas que tinham em mente como alvo “está morta”. Trump falou em uma “terceira onda” de operações e disse acreditar que 'provavelmente em breve não conheceremos ninguém'.
O governo do Irã ainda não confirmou as estimativas de Washington. No domingo, o país informou que seu líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, foi morto durante o ataque coordenado por Estados Unidos e Israel.
*Com informações de agências internacionais.
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