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Trump quer mostrar que nenhum ataque ficará sem resposta, diz especialista

Governo americano bombardeia áreas iranianas pelo segundo dia em represália a queda de helicóptero

Da redação
DA REDAÇÃO

10/06/2026 • 22:54 • Atualizado em 10/06/2026 • 22:54

Os Estados Unidos iniciaram uma nova ofensiva contra o Irã, na noite desta quarta-feira (10) atingindo pontos estratégicos no país. A ação marca uma mudança de postura de Washington, que até o início da semana tentava conter a escalada do conflito, chegando a divergir publicamente do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

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A ofensiva americana foi deflagrada após o Irã abater um helicóptero dos Estados Unidos na região do Estreito de Ormuz. Segundo especialistas, o episódio alterou a dinâmica do confronto, que antes era centrado na retaliação iraniana aos ataques israelenses.

A professora de relações internacionais Karina Calandrini, em análise para o Jornal da Band, explica que a mudança no tom do governo americano está alinhada à política externa de Donald Trump. O objetivo seria retomar o controle da narrativa e das negociações, deixando claro que ataques a alvos americanos não ficarão impunes.

Agora é um ataque aos Estados Unidos e Donald Trump quer deixar claro que nenhum ataque aos Estados Unidos passará despercebido, passará sem retaliação. Então o conflito agora escala novamente com a entrada dos Estados Unidos, de forma direta, por conta desse incidente e não por conta de Israel. --Karina Calandrini

A escalada direta dos Estados Unidos ocorre à revelia da vontade de Benjamin Netanyahu, evidenciando um afastamento entre os dois aliados, que iniciaram o conflito junto, em 28 de fevereiro. A professora aponta que, se o conflito tivesse se mantido apenas entre Irã e Israel, a probabilidade de uma intervenção direta dos Estados Unidos seria consideravelmente menor.

Para o governo americano, a prioridade atual é demonstrar quem dita as regras do jogo. A queda da aeronave exigiu uma resposta contundente para evitar a percepção de fraqueza, mantendo a necessidade de manter o controle sobre o futuro das negociações.

Impacto geopolítico e econômico

Mesmo com a retomada dos bombardeios, Karina Calandrini avalia que as negociações lideradas pelo Catar, que seguem em curso em Teerã, ainda podem ser retomadas. O interesse dos Estados Unidos em encerrar o conflito é motivado por questões domésticas, já que a popularidade de Donald Trump enfrenta desafios, e a opinião pública americana tem demonstrado resistência a gastos com guerras que não afetam diretamente o país.

Sobre a possível participação de outras potências, a análise é de que a China e a Rússia devem se limitar a declarações de condenação. No caso da Rússia, o foco está na guerra na Ucrânia, enquanto o perfil da política externa chinesa historicamente evita intervenções diretas em conflitos no Oriente Médio.

Segundo a professora, o fechamento do Estreito de Ormuz permanece como um ponto crítico de preocupação internacional. A obstrução afeta a logística global e a importação de petróleo, especialmente para a China, que ainda depende do petróleo que passa pelo local. Embora a pressão internacional pela reabertura da rota continue, não há indícios de uma ação militar direta das potências globais para resolver o impasse.

A China não vai escalar um conflito, não é nem do perfil da política externa chinesa intervir nesses conflitos diretamente, no máximo, próximo do seu próprio território. Mas não em outras regiões. A China nunca agiu dessa forma, então eu não vejo, mas a pressão econômica, sim, persiste. --Karina Calandrini