
Trump
REUTERS/Kevin Lamarque
Resumo
Viagem de Donald Trump a Davos é marcada por provocações antecipadas contra líderes como Emmanuel Macron e Keir Starmer, ameaças de tarifas e postagens polêmicas, incluindo imagem com bandeira dos EUA na Groenlândia, acompanhada de seu vice J. D. Vance e do secretário de Estado Marco Rubio.
Criação do Conselho da Paz liderado por Trump gera resistência de líderes internacionais como Macron, Putin e Xi Jinping, enquanto Israel impõe condições para aderir e países da União Europeia planejam reunião para discutir relação com os Estados Unidos, considerados hoje voláteis e imprevisíveis.
Reações negativas de autoridades europeias e do ministro alemão das Finanças demonstram insatisfação com atitudes de Trump, que exibe poder em Davos e é acusado de desprezo, chantagem e provocações constantes, ampliando distanciamento entre EUA e Europa e elevando a tensão na ordem mundial.
O prêmio Nobel da Paz de segunda mão, presidente Donald Trump, está embarcando esta noite para Davos, na Suíça, pretendendo moldar o mundo à sua imagem, mas é como se já estivesse lá, tantas as provocações que antecipou contra o presidente francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, entre outros líderes.
Hoje, logo cedo, Trump postou na sua plataforma Truth Social uma foto produzida com Inteligência Artificial, mostrando-o com a bandeira dos EUA na Groenlândia, sua atual obsessão, e acompanhado pelo vice J. D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio. Antes de viajar ele impôs tarifas à Dinamarca e a sete outros países-membros da OTAN que enviaram um destacamento militar para a Groenlândia.
'Noite Maluca': Trump vaza mensagens de Macron, ameaça vinhos e agita Davos
“Nosso ‘brilhante’ aliado da OTAN, o Reino Unido, está atualmente planejando abandonar a ilha de Diego Garcia. Por nenhuma razão” – escreveu Trump, lembrando que os poderes internacionais “reconhecem somente a FORÇA e que dando a ilha é um ato de GRANDE ESTUPIDEZ. ”
A opinião do presidente francês Macron “é irrelevante”, disse Trump, ameaçando a França com 200% de tarifas em seus vinhos e champanhes. Macron foi um dos primeiros 60 líderes mundiais convidados a recusar um lugar no Conselho da Paz, uma mini ONU em gestação, presidida por Trump, e que vai colher as assinaturas de adesão na quinta-feira, em Davos. “O Conselho da Paz não será limitado à Gaza. É um Conselho da Paz para o mundo”, explicou um funcionário do governo americano.
Conselho da Paz
É previsível que a Rússia e a China se recusem a participar do Conselho da Paz: como Vladimir Putin e Xi Jinping se submeteriam à autoridade de Trump, o único com direito a veto? Israel está impondo, como condição para aderir, a retirada da Turquia e do Catar, sob alegação de que são parceiros do Hamas.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, já está em Davos, e hoje chega o time americano, o maior de todos os tempos. Trump quer exibir poder. “E ele está demonstrando desprezo aos líderes que vai cumprimentar”, segundo o New York Times desta terça-feira.
Os 27 líderes da União Europeia marcaram reunião em Bruxelas, na quinta-feira à noite, para rever as relações com os Estados Unidos, hoje imprevisível e muito volátil. A presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen, já disse, em discurso em Davos, que “nostalgia não vai nos levar de volta a antiga ordem... Se esta mudança é permanente, então a Europa deve mudar permanentemente também”.
'Reality show de Donald Trump'
As mudanças na ordem mundial estão sendo transmitidas ao vivo, como um reality show de Donald Trump. Depois da captura do ex-presidente venezuelano Nicolas Maduro, ele se sente mais potente, a maior e melhor força do mundo. O futuro da aliança transatlântica, a segurança no continente europeu, o vai e vem sobre a Ucrânia e a Rússia, a obsessão pela Groenlândia e a soberania como um produto comercial já afastaram os EUA da Europa.
O ministro alemão das Finanças disse a Trump: “Deixe-me ser bem claro: não buscamos uma escalada. Nossa mão permanece estendida, mas não aceitaremos tentativas de chantagem. ” E mais: “Estamos constantemente sofrendo provocações do senhor Trump. Há um limite, e Trump atingiu esse limite”.
O site Axios, de Washington, alerta os participantes da reunião anual em Davos que se preparem para ser insultados. E lembra o que Trump disse nas Nações Unidas: “Vocês cobram muitas taxas, ocupam um monte de imóveis, mas na verdade não fazem nada”
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