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Túlio Amâncio: Lula e Zelensky têm encontro bilateral em Nova York nesta quarta-feira (24)

A reunião ocorre depois de meses de expectativa e de uma relação marcada por gestos públicos de aproximação e também de atritos diplomáticos.

TÚLIO AMÂNCIO

23/09/2025 • 15:45 • Atualizado em 23/09/2025 • 15:45

Lula na ONU

Lula na ONU

REUTERS/Mike Segar

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne nesta quarta-feira (24) com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em Nova York, em um encontro bilateral à margem da 80ª Assembleia Geral da ONU. A reunião ocorre depois de meses de expectativa e de uma relação marcada por gestos públicos de aproximação e também de atritos diplomáticos. Inicialmente, o encontro seria nesta terça (23), mas, por incompatibilidade de agenda, foi remarcada.

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Desde o início da guerra na Ucrânia, Lula tem buscado se posicionar como defensor de uma solução negociada para o conflito, insistindo na necessidade de um esforço internacional que envolva países fora do eixo direto da guerra, como Brasil, Índia e China. Essa postura, no entanto, foi recebida com reservas por Kiev. Zelensky já criticou o fato de o presidente brasileiro colocar Rússia e Ucrânia no mesmo nível de responsabilidade pelo conflito, algo que o governo ucraniano considera inaceitável.

A relação entre os dois presidentes já passou por episódios de desconforto. Em 2023, uma tentativa de encontro durante a cúpula do G7, no Japão, não se concretizou, gerando interpretações de mal-estar. Mais tarde, Lula e Zelensky trocaram declarações públicas: o brasileiro disse que o ucraniano estaria “cansado” e que “não poderia ter tudo o que queria”, enquanto o líder ucraniano afirmou que “talvez Lula tivesse outras prioridades”.

Apesar dos impasses, o Palácio do Planalto tem insistido que o Brasil não é indiferente ao sofrimento causado pela guerra e que busca atuar como voz do Sul Global na defesa do multilateralismo e do fim das hostilidades.

O encontro desta quarta será uma oportunidade para Lula e Zelensky ajustarem o tom da relação e buscarem um canal mais direto de diálogo. Interlocutores do governo brasileiro avaliam que, embora as diferenças de visão sobre o conflito sejam grandes, a conversa pode abrir espaço para que o Brasil desempenhe algum papel mais ativo nas discussões internacionais sobre a paz.