
Luiz Inácio Lula da Silva
REUTERS/KYLIE COOPER
Resumo
Discurso de Lula na ONU: O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva discursou na Assembleia Geral da ONU, criticando intervenções externas no Judiciário brasileiro, especialmente dos Estados Unidos, e ações da extrema-direita nacional.
Condenação de Bolsonaro: Lula abordou a recente condenação de Jair Bolsonaro, enfatizando que o ex-presidente teve direito a um processo justo, contrapondo às práticas de ditaduras, e reforçou que não pode haver pacificação com impunidade.
Criticismo à pobreza e desigualdade: No seu discurso, Lula também destacou que a pobreza é uma grande inimiga da democracia e criticou o foco excessivo da comunidade internacional em conflitos armados em detrimento de políticas de desenvolvimento e ajuda aos mais pobres.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu nesta terça-feira (23) a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, mantendo a tradição de o Brasil ser o primeiro país a discursar no encontro anual. Veja como foi o discurso:
“Falsos patriotas”
Lula criticou as intervenções externas sobre processos do poder Judiciário brasileiro e afirmou que há colaboração de “falsos patriotas, que arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil”.
O presidente fez alusão às tarifas econômicas impostas pelos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros criticou interposição dos norte-americanos nos processos internos do país, afirmando que “a agressão contra a independência do poder Judiciário é inaceitável”.
“Não há justificativas para medidas unilaterais e arbitrárias contra as nossas instituições e nossa economia. A agressão contra a independência do poder Judiciário é inaceitável. Essa ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema-direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias. Falsos patriotas, arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil”, disse o presidente.
Condenação de Bolsonaro
O presidente falou sobre a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. Lula afirmou que Bolsonaro “teve amplo direito de defesa, prerrogativa que as ditaduras negam às suas vítimas”.
Lula validou a procedência do julgamento de Jair Bolsonaro, e defendeu que o ex-presidente “foi investigado, indiciado e julgado, e responsabilizado pelos seus atos em um processo minucioso”.
“Não há pacificação com impunidade. Há poucos dias, e pela primeira vez em 525 anos de história, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito, foi investigado, indiciado e julgado, e responsabilizado pelos seus atos em um processo minucioso”, disse.
“Pobreza é inimiga da democracia”
O presidente também afirmou que a pobreza é “tão inimiga da democracia quanto o extremismo” e criticou a comunidade internacional: “precisa rever as suas prioridades”.
Lula citou a saída do Brasil do Mapa da Fome em 2025, mas destacou o contraste em que 670 milhões ainda passam fome, além de 2,3 bilhões de pessoas com insegurança alimentar.
“A comunidade internacional precisar rever as suas prioridades. Reduzir os gastos com guerras e aumentar a ajuda ao desenvolvimento; aliviar o serviço da dívida externa dos países mais pobres, sobretudo os africanos; e definir padrões mínimos de tributação global, para que os super-ricos paguem mais impostos que os trabalhadores”, completou.
Genocídio em Gaza
O petista voltou a criticar os ataques israelenses contra a população da Faixa de Gaza durante discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (23), em Nova York. Para ele, nada justifica o genocídio contra o povo palestino.
“Nenhuma situação é mais emblemática do uso desproporcional e ilegal da força do que a da Palestina. Os atentados terroristas perpetrados pelo Hamas são indefensáveis sob qualquer ângulo, mas nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza”, declarou Lula.
“Ali, sob toneladas de escombros, estão enterradas dezenas de milhares de mulheres e crianças inocentes. Ali também estão sepultados o Direito Internacional Humanitário e o mito da superioridade ética do Ocidente”, acrescentou o presidente.
Regulação das redes sociais
O presidente brasileiro defendeu que regulação das redes sociais não significa restringir a liberdade de expressão. A declaração foi feita durante a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), que acontece em Nova York.
“A internet não pode ser uma ‘terra sem lei’. Cabe ao poder público proteger os mais vulneráveis. Regular não é restringir a liberdade de expressão. É garantir que o que já é ilegal no mundo real seja tratado assim no ambiente virtual”, disse Lula.
“Ataques à regulação servem para encobrir interesses escusos e dar guarida a crimes, como fraudes, tráfico de pessoas, pedofilia e investidas contra a democracia”, acrescentou o presidente na Assembleia Geral da ONU.
Democracia falha quando mulheres ganham menos que homens
“Democracias sólidas vão além do ritual eleitoral. Seu vigor pressupõe a redução das desigualdades e a garantia dos direitos mais elementares: a alimentação, a segurança, o trabalho, a moradia, a educação e a saúde. A democracia falha quando as mulheres ganham menos que os homens ou morrem pelas mãos de parceiros e familiares”, disse Lula em seu discurso na ONU.
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