
Ultimato dos EUA e Israel ao Hamas: liberte os reféns, “ou sofra as consequências”
REUTERS/Leah Millis/File Photo
Os EUA e Israel deram um ultimato ao Hamas: liberte os reféns, ou sofra as consequências. A proposta à mesa: libertação de 20 reféns vivos, imediatamente, em troca de garantias americanas para o fim da guerra. Alguns corpos dos 38 mortos serão devolvidos depois, quando localizados.
O presidente Trump disse no domingo que “os israelenses já aceitaram os meus termos”, e que, agora, “é a hora do Hamas de aceitá-los também”, acrescentando: “Esta é a minha última advertência; não haverá outra”.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, no dia em que seis israelenses morreram num atentado em Jerusalém, e quatro soldados morreram num ataque guerrilheiro do Hamas em Gaza, confirmou, em parte, o que disse o presidente Trump: “Estou seriamente considerando a proposta (dele) ”, mas acusou o Hamas de “continuar obstinado” e se recusando a aderir.
O Hamas confirmou ter recebido a proposta de Trump e que se dispõe a discuti-la imediatamente “em troca de uma declaração clara de fim da guerra, a retirada completa de Israel e o estabelecimento de uma comissão encarregada de administrar Gaza” – formada por palestinos não filiados a nenhum grupo e que sejam “empossados imediatamente”. O Hamas comunicou que “está em constante contato com os mediadores para transformar as ideias num acordo abrangente que satisfaça nossas reivindicações”.
O Canal 12 da TV israelense informou que os 20 reféns vivos e os 28 mortos serão devolvidos no primeiro dia do cessar-fogo, e que a ofensiva para ocupar a Cidade de Gaza será paralisada. Aí, então, as negociações para o fim da guerra começarão, sem combates até que sejam concluídas. “Realmente, é o fim do impasse”, reagiu o Fórum das Famílias dos Reféns e Desaparecidos. O Hamas informou que não tem todos os corpos e que precisará procurá-los junto a outras facções palestinas.
O Ministério da Saúde do Hamas informou a morte de 65 palestinos nas últimas 24 horas – 14 enquanto esperavam ajuda humanitária, seis por fome e mal nutrição, entre eles duas crianças, e o total passou para 64.522 mortos, sem distinção entre civis e combatentes (que seriam 22 mil). Israel contabilizou mais quatro soldados aos seus 900 militares mortos. Um quarto prédio foi derrubado hoje na Cidade de Gaza, mas o primeiro-ministro Netanyahu disse que já foram derrubados 50.
Os quatro soldados israelenses mortos, dentro de um tanque, voltavam de uma noite de operações em Sheik Radwan, às 6 horas da manhã. Estacionaram no acampamento de Kfar Jabalia. Aí há duas versões: uma, que o comandante do tanque pôs a cabeça para fora e foi atingido por tiros; e a outra, que três militantes do Hamas jogaram uma granada por uma abertura do tanque, matando todos. Os soldados do acampamento devolveram o fogo, acertando dois fugitivos, e um escapou. Um soldado foi baleado na perna durante o tiroteio. Não houve tentativa de sequestrar soldados. Esse ataque, típico de guerrilha, era esperado, mas não pode ser evitado.
O presidente Trump, confiante no resultado de seu ultimato, nomeou o seu genro, Jared Kushner, para preparar um plano para Gaza pós-guerra. Ele se encontrou nesta segunda-feira, em Miami, com o enviado a missões de paz da Casa Branca, Steve Witkoff, para começar a projetá-lo.
Foi Kushner quem esboçou os Acordos de Abraão que normalizaram as relações entre Israel e alguns países árabes, no primeiro mandato do sogro Donald Trump.
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