
Venezuela
Maxwell Briceno/Reuters
Cerca de 680 mil crianças precisam de ajuda humanitária na Venezuela após os dois terremotos que atingiram o país na última semana, segundo estimativa divulgada pelo Unicef nesta segunda-feira (29).
De acordo com o Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para a Infância, cerca de 1,8 milhão de pessoas de todas as idades necessitam de assistência após os abalos sísmicos de magnitude 7,2 e 7,5 registrados na quarta-feira (24), com menos de um minuto de intervalo entre eles.
A agência da ONU calcula que serão necessários US$ 52 milhões para a resposta inicial à emergência, além dos US$ 137,6 milhões previstos no programa Ação Humanitária para a Infância 2026 na Venezuela e dos US$ 3,5 milhões já liberados de fundos emergenciais para envio de equipes e suprimentos.
Segundo o representante do Unicef na Venezuela, Manuel Rodríguez Pumarol, a situação no país evidencia carências em serviços essenciais. "Após três dias de resposta, a dimensão das necessidades começa a ficar mais clara. Os hospitais estão operando acima de sua capacidade, milhares de crianças não têm acesso confiável à água potável e muitas escolas sofreram danos", afirmou.
Hospitais e escolas enfrentam danos estruturais
Hospitais em Caracas e nos estados de La Guaira, Carabobo, Aragua e Falcón relatam danos graves em suas estruturas, o que leva algumas unidades a uma situação crítica e compromete o atendimento de crianças e mulheres grávidas.
Na capital venezuelana, informações preliminares indicam que 432 escolas — mais de um terço do total de unidades de ensino do distrito — foram danificadas. Outras instituições passaram a funcionar como abrigos para famílias desalojadas, e a expectativa é que esse número aumente conforme avançam as avaliações em outros estados.
Envio de suprimentos e apoio internacional
O Unicef afirma que trabalha em conjunto com o governo venezuelano para ampliar a assistência. A entidade já enviou 20 toneladas de suprimentos médicos e materiais de água e saneamento, que chegaram ao país no sábado (27), vindos do centro regional de suprimentos no Panamá.
Um segundo carregamento, proveniente do centro global de suprimentos do Unicef em Copenhague, deve desembarcar nos próximos dias. A organização espera que os dois envios ajudem a atender mais de 100 mil pessoas afetadas pelos terremotos.
O número de mortos subiu para pelo menos 1.719, informou nesta segunda-feira (29) o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. Ele acrescentou que 5.034 pessoas ficaram feridas e que as autoridades ainda registram dezenas de milhares de desaparecidos.
O Brasil enviou dois voos com ajuda humanitária à Venezuela, que também pousaram no sábado (27). As aeronaves levaram médicos, cães farejadores, equipamentos especializados de busca e resgate e materiais para montagem de um hospital de campanha. A missão brasileira conta com 36 bombeiros militares de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além de quatro integrantes da Defesa Civil e quatro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que transportam equipamentos de monitoramento capazes de identificar sinais de dispositivos de telecomunicações, como telefones celulares, o que pode auxiliar na localização de possíveis sobreviventes nas áreas atingidas.
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