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Vice dos EUA nega que Líbano faça parte de acordo de cessar-fogo com Irã

JD Vance, por outro lado, diz estar "otimista" para as negociações de paz e possível acordo permanente com Teerã, que diz ter fechado Ormuz após bombardeios ao Líbano

Da redação
DA REDAÇÃO

08/04/2026 • 17:27 • Atualizado em 08/04/2026 • 17:33

JD Vance, vice-presidente dos Estados Unidos

JD Vance, vice-presidente dos Estados Unidos

REUTERS/Jonathan Ernst/Pool

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, negou que o Líbano faça parte do cessar-fogo temporário acordado com o Irã, em breves comentários a repórteres na tarde desta quarta-feira (8). Contudo, o americano disse estar "otimista" para as negociações de paz e possível acordo permanente com Teerã.

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"Nunca fizemos nenhuma promessa de que o Líbano estaria incluído no cessar-fogo com o Irã. Houve um mal-entendido: nem os EUA, nem Israel disseram qualquer coisa neste sentido", afirmou ele.

A declaração ocorre horas depois dos ataques de Israel ao território libanês, que deixou mais de 250 mortos e 1.100 feridos. Aviões destruíram vários prédios no centro de Beirute, capital do Líbano, sem qualquer alerta, enchendo o céu de fumaça e o som de sirenes, enquanto ambulâncias seguiam para os locais atingidosVance disse que o andamento futuro das negociações dependerá agora dos iranianos e do quanto estão "dispostos" a avançar nos próximos passos. Segundo ele, há sinais de reabertura gradual do Estreito de Ormuz, mas ainda é necessário que o país persa se comprometa a não criar uma arma nuclear.

"Nossa posição sobre o enriquecimento de urânio pelo Irã não mudou. Eles não podem fazer qualquer coisa que chegue perto de criar uma arma nuclear", frisou. O vice-presidente americano alertou que, se o Irã não cumprir sua parte, os EUA não vão cumprir o cessar-fogo e haverá outras "consequências graves". Vance não detalhou quais seriam essas consequências, mas apontou que o mesmo aviso já havia sido mencionado pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

A imprensa iraniana diz que o país, em retaliação aos bombardeios no Líbano. suspendeu as navegações por Ormuz. A Casa Branca nega.

"Trump possui todos os trunfos nas negociações, de recursos militares a econômicos", destacou, acrescentando que a "culpa" do estado atual enfraquecido de Teerã pertence ao regime no poder. "Queremos que o Irã negocie seriamente e que conversas tenham sucesso. Só assim teremos vitória para a população americana."

Vance, que liderará negociadores americanos em Islamabad neste sábado, disse querer "fazer a diferença" no time diplomático e estar "otimista" que os iranianos conversarão "de boa fé", embora tenha criticado o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf.

Ao ser questionado, o vice-presidente disse ter visto uma publicação de Ghalibaf acusando os EUA de terem violado o acordo de dez pontos enviado pelo Irã. Segundo ele, ao contrário do que afirma a publicação, o cessar-fogo está sendo cumprido.

"Não sei o quão bom ele (Ghalibaf) é entendendo inglês e os pontos mencionados no acordo do Paquistão", afirmou Vance. "As primeiras horas de cessar-fogo são bagunçadas, sempre há um pouco de tensão, e podem ocorrer ataques aleatórios dos dois lados nas primeiras horas. Queremos que nossos aliados e o Irã interrompam os bombardeios, mas é complicado e pode levar algum tempo."Com Estadão Conteúdo