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Veja o que se sabe sobre a ligação entre PCC e Vinicius Gritzbach

O delator foi morto a tiros no Terminal 2 do Aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo, em novembro de 2024

Da redação
DA REDAÇÃO

26/09/2025 • 01:20 • Atualizado em 26/09/2025 • 01:20

O empresário Antonio Vinícius Gritzbach, assassinado no aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos, em novembro do ano passado, continua aparecendo em investigações sobre lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Relatório da operação Carbono Oculto, do Ministério Público com apoio da Polícia Federal, aponta que pelo menos quatro nomes ligados a Gritzbach estão associados ao maior esquema de lavagem de dinheiro já identificado no Brasil.

Operação Carbono Oculto e as queimadas no interior de SP

Segundo o documento, a facção criminosa estruturou um sistema de controle da cadeia de combustíveis no país. Em 2024, queimadas atingiram extensas plantações de cana-de-açúcar no interior de São Paulo, com prejuízos estimados em mais de R$ 1,2 bilhão. O relatório aponta que os incêndios não foram acidentais: faziam parte de uma estratégia de intimidação e extorsão de proprietários rurais.

O PCC passou a adquirir terras, usinas, distribuidoras de combustíveis e mais de mil caminhões, dominando desde a produção até a revenda em postos espalhados pelo país. Além disso, comprava produtos químicos para adulteração e usava fintechs e fundos de investimento para multiplicar os lucros e legitimar o dinheiro ilícito.

A ligação de Gritzbach e outros empresários

O nome de Gritzbach surge associado a José Carlos Gonçalves, conhecido como Alemão, considerado peça-chave do esquema. Alemão já havia sido alvo da operação Rei do Crime, da Polícia Federal, e também foi investigado por ser dono de um helicóptero usado em uma emboscada em Aquiraz, no Ceará, em 2018, que resultou na execução de dois integrantes da facção.

De acordo com o Ministério Público, Alemão mantinha conexões com a rede de postos Boxter e com a família Gonçalves Salomão, apontados como sócios em negócios com Gritzbach. Caio Luiz Salomão, Eduardo Luiz Salomão e a filha de Alemão aparecem como sócios de Vinícius na empresa SP Investimentos e Empreendimentos LTDA, usada para administração de imóveis e contratos fraudulentos com finalidade de lavagem de dinheiro.

Outro investigado citado no relatório é Ricardo Romano, que teria tido desentendimentos comerciais com Gritzbach. Segundo a apuração, Romano chegou a ameaçar o empresário, mas os detalhes do conflito não foram divulgados.

Lavagem de dinheiro

Vinicius Gritzbach seria parte do setor de lavagem de dinheiro do PCC, segundo investigações do Ministério Público de São Paulo. O MPSP afirmou Vinícius teria ajudado a colocar no mercado formal até R$ 2 bilhões de empresários ligados ao PCC.

De acordo com o que foi levantado até agora pela investigação, de empresário bem-sucedido do ramo imobiliário sem envolvimento com o crime, Vinicius se tornou o queridinho da máfia de drogas.

Ele conseguia com facilidade transformar milhões de reais sujos, na moeda virtual bitcoin e depois trazer de volta as quantas em dinheiro limpo, sem chamar a atenção da polícia. Um levantamento do Deic aponta que a fortuna de Vinícius gira em torno de R$ 300 milhões.

Futebol

Vinicius Gritzbach era parte central de uma investigação do Ministério Público de São Paulo, sobre agenciamentos de jogadores. Gritzbach era investigado também por lavagem de dinheiro. Entre os supostos clientes estariam Rafael Maeda, o ‘Japa’, e Danilo Lima, o Tripa’, que agiam como agentes de futebol.

Segundo as investigações, jogadores de ao menos três grandes clubes paulistas foram agenciados ou abordados por empresas com participação de integrantes do PCC: Corinthians, São Paulo e Palmeiras.

Entre os jogadores que atuam ou atuaram no São Paulo e assinaram contrato com agências citadas na investigação, estão: Gabriel Sara, Felipe Negrucci e Caio Matheus. Os agentes chegaram a abordar Jean Pierre, Talles Couto e Patrick Lanza.

Delação premiada

Com informações valiosas e detalhadas sobre as operações do PCC, incluindo a rede de contatos e origem de dinheiro ilícito, Gritzbach tornou-se uma peça importante para a polícia e o Ministério Público em delações. Contudo, a exposição de seu nome como delator aumentou os riscos que ele enfrentava desde as mortes dos membros da facção. Mesmo “jurado de morte" pela facção, Vinícius não quis entrar no programa de proteção de testemunhas oferecido pelo Ministério Público.

As delações trazem também lavagem de dinheiro com negociação de imóveis de luxo. Um deles, uma cobertura no Tatuapé, comprada por Anselmo Cara Preta por R$ 15 milhões em dinheiro vivo.

O empresário Vinicius Gritzbach delatou detalhes sobre a lavagem de dinheiro da organização criminosa, investigada pelo MPSP, que inclui os traficantes mortos Anselmo Cara Preta, Claudio Django e Rafael Maeda, o Japa. Além de supostos empresários que, de acordo com a delação, participaram do sequestro de Vinícius: Danilo Lima, o tripa, e Robinson Granger, o Moly.

Morte de Cara Preta e Sem Sangue

O empresário Vinicius Gritzbach, executado no Aeroporto de Guarulhos, foi apontado como o mandante do assassinato dos criminosos membros do PCC Anselmo Becheli Santa Fausta, o 'Cara Preta' e Antônio Corona Neto, o 'Sem Sangue'. A investigação do DHPP apurou que Gritzbach teria mandado matar os dois, porque vinha sendo cobrado pela vítima, uma dívida de R$ 2 bilhões.

O dinheiro teria sido arrecadado com o tráfico internacional de drogas. Anselmo “Cara Preta” teria descoberto dias antes que Vinicius teria gastado parte do investimento no envio de cocaína pura para a Europa.

Vinicius teria contratado Noe Schaum para ser o executor das mortes de Cara Preta e Sem Sangue. O duplo homicídio ocorreu em 27 de dezembro de 2021. Noé Alves Schaum, denunciado por ser o executor dos membros do PCC, foi assassinado em 16 de janeiro de 2022.

Atentado no Natal

Gritzbach era jurado de morte pelo PCC. Ele foi vítima de um atentado, na noite de Natal do ano de 2023, quando passava a data com a família.

O empresário estava na sacada de seu apartamento no Jardim Anália Franco, bairro nobre da zona leste de São Paulo, quando foi alvo de um tiro, que acabou não atingindo ninguém. Segundo a polícia, o disparo foi feito de um prédio em frente, a partir de um apartamento que fica a poucos andares acima do de Gritzbach.

Executado no Aeroporto

O delator do PCC Vinicius Gritzbach foi morto na saída do Terminal 2 do Aeroporto de Guarulhos. Ele levou dez tiros, segundo registros da Polícia Civil. De acordo com as investigações, os autores dispararam pelo menos 30 tiros com armas de calibres diversos. Gritzbach estava com uma verdadeira fortuna na bagagem. Segundo informações da polícia, ele tinha R$ 1 milhão na bagagem em joias no momento que foi baleado.

Entre os itens estavam pedras preciosas, colares, correntes, anéis, brincos, pulseiras e até um relógio Rolex. A Polícia Civil apreendeu o material. Ainda segundo informações da polícia, Vinicius Gritzbach viajou para cobrar uma dívida e o pagamento foi feito com as joias.

Investigação, presos e foragido

Os três policiais militares que vão a júri popular continuam presos no Romão Gomes, na zona norte de São Paulo: o tenente Fernando Genauro da Silva, o cabo Denis Antônio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues.

Segundo as investigações, o cabo e o soldado foram os executores de Vinicius Gritzbach já o tenente seria o motorista de fuga. Ele é acusado de dirigir o carro no aeroporto de Guarulhos. De acordo com o DHPP, o ataque foi planejado por integrantes da maior facção do país, por haver desconfiança de que Gritzbach desviava dinheiro em criptomoedas da facção.

Ele já tinha recebido várias ameaças de morte, mas quando fechou o acordo de delação com o MP Paulista e começou a detalhar o esquema de lavagem de dinheiro, as ameaças se tornaram realidade.

A decisão foi tomada pela Vara do Júri de Guarulhos. O julgamento ainda não tem data marcada, mas o juiz confirmou a manutenção da prisão preventiva dos três policiais. A promotoria chegou a denunciar 18 policiais militares envolvidos no assassinato: 15 porque trabalhavam na segurança privada do delator do PCC e três por envolvimento direto na execução dele.

O juiz, na decisão, também decidiu colocar os integrantes da facção por envolvimento direto no crime: Diego dos Santos Amaral, o "Didi", Emílio Carlos Gongorra Castilho, "Cigarreira" e Kauê do Amaral Coelho. Todos participaram no planejamento e ação do homicídio, mas eles estão foragidos.