
Maduro já está há 11 anos no poder e tenta o terceiro mandato
Reuters
A Venezuela é o país com as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimadas em 300 bilhões de barris (ou cerca de 17% do total global). Entretanto, essa imensa riqueza está no centro de uma das perguntas mais urgentes feitas pelos brasileiros no Google, pois a crise e a intervenção militar dos EUA transformaram o mercado petrolífero venezuelano em um complexo tabuleiro geopolítico e financeiro.
A resposta para a pergunta "Venezuela exporta petróleo para quais países?" é irônica: a maior parte da produção vai para a China, rival estratégica dos Estados Unidos, enquanto a própria potência americana, que condenou o regime, ainda mantém um canal de acesso via grandes empresas. Essa dúvida está entre as mais feitas sobre a Venezuela no buscador aqui no Brasil.
O fluxo que desafia Washington
Com a indústria petrolífera do país em colapso devido à má gestão, corrupção e sanções internacionais, a produção despencou, chegando a cerca de 900 mil barris por dia (bpd) em 2025. Esse petróleo, que é predominantemente cru extra-pesado, encontrou novos caminhos para driblar o isolamento financeiro.
O principal destino hoje é a China, que absorve a maior parte do petróleo venezuelano, muitas vezes por meio de intermediários e descontos significativos. A China é considerada a principal fonte de receita petrolífera da Venezuela desde 2023 e concedeu ao país mais de US$ 60 bilhões em empréstimos no passado em troca de petróleo.
A Venezuela chegou a vender petróleo usando a moeda chinesa, o yuan, para evitar o sistema de pagamentos baseado no dólar, um ato que Washington enxerga como uma ameaça à sua hegemonia monetária global.
Além da China, o regime de Maduro reforçou parcerias com outros países que oferecem apoio estratégico. A Rússia manteve acordos por meio da estatal Rosneft e, com participações em refinarias indianas (como a Nayara Energy Limited), ajudou a inserir o petróleo venezuelano no mercado da Índia. Moscou também estendeu contratos de exploração conjunta na Bacia do Orinoco até 2041. Cuba, por sua vez, recebe petróleo em troca de apoio nas áreas de inteligência, cooperação social e segurança.
A ironia do mercado: Europa e Chevron
Apesar de a Venezuela ter sido alvo da "Doutrina Donroe" de Donald Trump, que busca garantir o "acesso total" dos EUA aos recursos, a rede de exportação se mostrou surpreendentemente complexa e até paradoxal.
A presença americana
A empresa americana Chevron manteve uma pequena operação na Venezuela e foi autorizada a produzir e exportar petróleo para os Estados Unidos, representando cerca de um quarto da produção total da Venezuela em 2025, operando sob licenças concedidas pelo governo americano.
O retorno europeu
Após um alívio temporário das sanções em 2024, empresas europeias como a espanhola Repsol, a italiana Eni e a francesa Maurel & Prom receberam isenções para operar e exportar o óleo venezuelano. A importação espanhola de petróleo venezuelano, por exemplo, triplicou nos sete primeiros meses de 2024 em comparação com o ano anterior.
Petróleo: a peça central da geopolítica
Claramente, a crise vai além do combate ao narcotráfico e se concentra no petróleo. A estratégia de Washington busca eliminar a influência de atores como China e Rússia na América Latina e garantir que o vasto potencial petrolífero venezuelano seja explorado por empresas americanas.
No entanto, a Venezuela é vista por analistas como um “ativo condicionado”. Isto é, para que o país volte a ter relevância no mercado internacional de petróleo, seriam necessários investimentos de bilhões de dólares e uma profunda reestruturação, que poderia levar de dois a sete anos.
Pode-se dizer que a reinserção do petróleo venezuelano no mercado internacional dependerá de uma estabilidade política e segurança jurídica que, no momento, permanecem cercadas de incerteza.
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