
Cachorra que 'protegeu' Jesus na Paixão de Cristo
Reprodução/Instagram
Resumo
A história da cadela que ganhou destaque nacional após invadir uma encenação da Paixão de Cristo em Sapiranga, no Rio Grande do Sul, teve vários desdobramentos, incluindo viralização nas redes sociais, adoção temporária por moradores, reconhecimento por uma família de São Leopoldo e posterior reivindicação por uma jovem que se apresentou como tutora original.
A disputa pela guarda do animal envolveu a jovem Thamyres Ortiz da Rosa, de Sapiranga, que apresentou provas de vínculo e afirmou que a cadela estava desaparecida desde o início do ano, e a família de São Leopoldo, que acreditava ter reencontrado sua cachorra perdida durante as enchentes, mas optou por desistir da disputa judicial devido ao estado de saúde do patriarca.
A devolução foi intermediada e realizada de forma pacífica, com a cadela retornando à família de Sapiranga, encerrando a tensão entre os envolvidos e sendo novamente chamada de Princesa, enquanto as famílias destacaram o apego emocional e o desejo de resolver o caso sem conflitos judiciais.
A história da cadelinha que emocionou o país ao “invadir” uma encenação da Paixão de Cristo em Sapiranga, no Rio Grande do Sul, ganhou um novo e complexo capítulo. Depois de viralizar nas redes sociais, ser adotada, reconhecida por uma família e devolvida, o animal voltou a ser reivindicado — desta vez por uma jovem que afirma ser a tutora original.
O caso começou no dia 28 de março, quando a cadela apareceu durante a apresentação e avançou contra um ator que interpretava um soldado romano, em uma cena que simulava a crucificação de Jesus Cristo. O gesto, interpretado como uma tentativa de “defesa”, rapidamente viralizou e comoveu o público em todo o Brasil.
Nos dias seguintes, o animal foi acolhido por moradores da região e acabou adotado. Pouco depois, uma família de São Leopoldo afirmou reconhecer a cadela como sendo Pulguéria, desaparecida desde as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. O reencontro aconteceu após a repercussão das imagens, e o animal foi entregue aos supostos antigos tutores.
No entanto, quando a história parecia encerrada, uma nova versão veio à tona. A moradora de Sapiranga Thamyres Ortiz da Rosa, de 19 anos, afirmou que a cadela pertence à sua família desde 2025, quando foi adotada ainda filhote, e que havia desaparecido no início deste ano durante uma mudança.
“Ela sempre foi uma cadelinha de dentro de casa, bem cuidada, nunca sofreu maus-tratos. No início deste ano, durante a nossa mudança, ela entrou no primeiro cio. Acreditamos que isso tenha contribuído para a fuga”, relatou ao site ABC Mais.
Segundo Thamyres, a família realizou buscas sem sucesso até reconhecer o animal após a repercussão do caso. “Vimos uma publicação informando que ela estava em um evento de Páscoa. Fomos atrás, mas já tinham dito que outra família havia ficado com ela”, afirmou.
A jovem reuniu fotos e vídeos para comprovar o vínculo com a cadela e disse que não abriria mão do animal. “Temos todas as provas de que ela é nossa. Queremos resolver da melhor forma possível, mas não abriremos mão da nossa cadelinha”, destacou.
Diante das novas evidências, a família de São Leopoldo decidiu não prolongar a disputa judicial. A decisão levou em consideração, principalmente, o estado de saúde de um dos integrantes da família.
“A gente não vai para a justiça por conta do estado de saúde do meu pai. Um senhor de 73 anos com câncer incurável, intratável e inoperável. Não sabe o quanto me doeu falar para ele e ouvir ele desolado dizendo para entregar”, contou Cristiane Cezimbra.
Ela afirmou que a família acreditava se tratar do animal perdido durante a enchente, inclusive pelo comportamento semelhante. “O jeito dela se portar era igual. Na casa do meu pai, ela agiu da mesma forma”, disse. Ainda assim, optaram pela devolução. “Achamos melhor devolver. Não queremos ir para a Justiça por causa da saúde dele.”
Cristiane também rebateu críticas sobre um suposto abandono durante a tragédia climática. “Nós saímos de casa com ela e fomos para um sobrado, só que a água foi lá também e fomos resgatados pelo Exército. [...] Eles deram a certeza de que um outro bote iria remover os animais. Por isso deixamos água e comida, mas nós nunca mais a vimos”, explicou.
A entrega foi realizada de forma intermediada, com o animal sendo repassado novamente à família de Sapiranga. Antes da definição, o caso chegou a gerar tensão entre os envolvidos, mas foi resolvido sem necessidade de ação judicial.
No reencontro, a cadela — que já foi chamada de Ravena, Luna e Pulguéria — voltou a ser chamada de Princesa. Segundo Thamyres, a reação do animal reforçou o vínculo. “É uma emoção muito grande porque a gente estava com muita saudade dela, fazia muita falta”, afirmou.

