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Pesquisa usa IA para criar contraceptivo barato e eficiente em cadelas

Algorítimos conseguiram ter 100% de assertividade em detecção de gestações e realizaram mapeamento biológico

Da redação
DA REDAÇÃO

02/06/2026 • 13:43 • Atualizado em 02/06/2026 • 13:43

Técnica pode substituir castrações e reduzir zoonoses

Técnica pode substituir castrações e reduzir zoonoses

Freepik

Pesquisadores da Universidade Santo Amaro (Unisa) testam uma Inteligência Artificial (IA) para criar uma medicação contraceptiva não cirúrgica voltada ao controle populacional de cães. O estudo é conduzido pelo Programa de Pós-Graduação em Saúde Única da Unisa, em parceria com cientistas da Suíça e apoio do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). O objetivo é oferecer uma alternativa viável ao abandono animal e ao controle de zoonoses.

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Sob a coordenação da professora Paula Papa, a pesquisa foca no funcionamento do corpo lúteo — glândula endócrina temporária essencial para a manutenção da gestação nas cadelas. A grande inovação reside no uso da IA para processar volumes massivos de dados biológicos.

Os pesquisadores analisaram mais de 16 mil genes por animal. Graças aos algoritmos de aprendizado de máquina, o estudo alcançou um marco impressionante, com precisão de 100% na identificação de gestação em cadelas apenas 10 dias após a concepção e o mapeamento detalhado de mecanismos biológicos nunca antes compreendidos com tal profundidade na espécie.

Um desafio de saúde pública

A necessidade de métodos mais ágeis e acessíveis é urgente. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que existam mais de 200 milhões de cães de rua no mundo. Só no Brasil, o número de cães e gatos abandonados chega a 30 milhões.

"Estamos diante da possibilidade de transformar um problema histórico em uma solução sustentável e acessível", afirma a professora Paula Papa. "A IA acelera nossa capacidade de compreender os mecanismos da gestação e nos aproxima de um medicamento com impacto global."

O futuro: contracepção sem cortes

Diferente da castração tradicional, que exige procedimento cirúrgico, anestesia e pós-operatório, a nova medicação busca ser segura e reversível, já que atua no bloqueio ou modulação de genes específicos, de baixo custo ,facilitandoa aplicação em larga escala por órgãos públicos e ONGs e não-invasiva, eliminando os riscos inerentes a uma cirurgia.

Atualmente, o projeto avança para a fase de validação biológica. Os cientistas trabalham para confirmar como os genes identificados pela IA influenciam a manutenção da prenhez, definindo os "alvos" exatos para a futura medicação.

A iniciativa reforça o conceito de Saúde Única, que integra o equilíbrio entre a saúde humana, animal e ambiental, posicionando a ciência brasileira como peça-chave no desenvolvimento de patentes de alcance internacional.

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